08 Principais tendências sobre gestão de energia e utilidades

Submitted by Sérgio Grassi on Tue, 07/25/2017 - 17:17
Tendencias sobre gestao de energia e utilidades

Os recursos tecnológicos disponíveis para a sociedade aumentam a cada dia. A área de gestão de energia e utilidades pode ser considerada estrategicamente priorizada, visto que movimenta vultosas somas de dinheiro nos quatro cantos do mundo

Indústria 4.0, Internet das coisas, Sistemas cognitivos, Inteligência artificial, dentre outras, são tecnologias que vieram para ficar e estão disponíveis para aqueles que necessitam vencer desafios na área de energia e utilidades.

 

O cenário atual

Uma área responsável pela gestão de energia e utilidades em grandes consumidores está constantemente sobre pressão, seja pela necessidade constante de redução de custos e aumento de produtividade, ou até mesmo pela exigência de redução de emissões de gases de efeito estufa e particulados.

Atualmente, podemos dizer que a maioria dos gestores de energia e utilidades utiliza de forma pesada o manuseio de dados através de planilhas eletrônicas. Essa alternativa gera consumo excessivo de mão de obra, insegurança quanto a atualização de links entre planilhas e necessidade de backup constante.

Os sistemas utilizados pelas empresas (Supervisórios, PIMS, MES, ERP, etc.), normalmente não são integrados, o que causa uma dificuldade ou mesmo impossibilidade de migração de dados entre eles.

Ainda temos poucas iniciativas para implantação de normas de gestão de energia como por exemplo a ISO 50001. Exceção pode ser verificada na Europa, principalmente Alemanha, França e Holanda, que são responsáveis por mais da metade das certificações no mundo.

Normalmente as previsões de consumo de energia e utilidades, são feitas tomando como base regras simples e sem considerar o mix de produção e outros fatores sazonais.

Diante da perspectiva das novas tecnologias e das mudanças vivenciadas pelas empresas e seus gestores, podemos elencar algumas tendências para a gestão de energia e utilidades do futuro:

 

1- Grande fluxo de dados

A tecnologia de big data vem auxiliando cada vez mais as empresas através da gestão de grandes bases de dados e este fluxo de informações tende a ser cada vez maior. Com o conceito de data lakes, diferentes tipos de dados são armazenados em sua forma original, e de lá são extraídos, combinados, correlacionados e utilizados de diferentes maneiras, de acordo com as necessidades de cada negócio.

Já estão disponíveis no mercado, sistemas com baixa relação custo-benefício que permitem acesso fácil a um grande número de dados e informações.

Leia também: Como data lakes podem contribuir para gestão de energia e utilidades

 

2- Gestão sem a utilização de intermediários ou comercializadoras

As informações sobre os contratos geridos e a previsão precisa de consumo de energia, tornará cada vez mais fácil uma gestão sem a utilização de intermediários ou comercializadoras. Desta forma os contratos seriam negociados diretamente com as geradoras e com redução de custos. Com grande quantidade de informações disponíveis, o desafio passa a ser a tomada adequada das decisões, seja com relação a duração do contrato, seja pela definição de qual matriz energética deve ser utilizada. A venda de energia por grandes consumidores, também deve ser cada vez mais frequente.

 

3- Energias renováveis

A busca por energia renovável gerada de forma distribuída será crescente. De acordo com o estudo Energy Outlook (NEO), feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF), até 2040, o Brasil deverá atrair US$ 300 bilhões em investimentos para geração de energia elétrica — a maior parte disso (70%) irá para projetos solares e eólicos.

Isto confirma a necessidade de se implantar sistemas que permitam agilizar a tomada de decisões sobre o despacho ótimo de energia, considerando os aspectos de custo e disponibilidade.

 

4- Armazenamento de energia

O aumento da participação das energias renováveis traz, por consequência, o aumento da demanda por sistemas de armazenamento de energia para viabilizar a integração de tais fontes aos sistemas de distribuição atuais.

As tecnologias de armazenamento de energia, que já estão disponíveis e com custos sendo reduzidos ano a ano, trarão um grande impacto na gestão de energia e utilidades. Entre as tecnologias promissoras, em estágio avançado de pesquisas, estão entre outras: capacitores eletroquímicos e campos magnéticos gerados em supercondutores.

 

5- Sistemas corporativos totalmente integrados

Sistemas corporativos totalmente integrados dentro da empresa, com uso de informações em massa e muita visibilidade do consumo de energia, serão cada vez mais comuns. Vivemos atualmente em um momento de convergência. O avanço de novas tecnologias já permite que os sistemas sejam unificados e integrados, com arquiteturas baseadas em data lakes, permitindo a produção de novas informações e análises que combinem dados de diferentes naturezas.

 

6- Inteligência artificial

O uso da inteligência artificial para otimização de processos será cada vez mais frequente. Isto se dará com a utilização de sistemas dedicados que utilizam modelos desenvolvidos especificamente para aquele equipamento ou instalação.

Estes modelos analisam as variáveis significativas do processo, as classificam em ordem de importância e buscam em uma base de dados consistente os melhores ajustes, visando sempre uma redução do consumo de energia.

 

7- Contratação por performance de serviços

A contratação por performance de serviços e sistemas especialistas na área de energia e utilidades, será cada vez mais frequente. Este tipo de negócio, trará redução de capex e viabilizará ganhos tanto para os consumidores, como também para as empresas especializadas em fornecimento deste tipo de solução.

 

8- Certificação ISO 50001

A busca pela certificação em normas de gestão de energia como a ISO 50001, será cada vez mais frequente e ajudará as empresas a elevar o nível de sua gestão de energia. A certificação contribui para que as empresas alcancem novos patamares de eficiência em um ciclo de melhoria contínua, já que o processo de certificação é recorrente.

 

Conclusão

Com a busca incansável pelo aumento de produtividade nas empresas, existe uma tendência de fusão entre as áreas de energia, utilidades e meio ambiente, e uma demanda crescente por profissionais qualificados para gerir esta área.

Desta forma, profissionais que querem se manter neste mercado, devem estar atentos a todas estas mudanças e se adequar rapidamente, ou seja, está valendo o velho ditado de William Jennings Bryan: "O destino não é uma questão de sorte, é uma questão de escolha."

Commercial Director, Viridis

Viridis’s Commercial Director. He has worked for 35 years at Vallourec in energy, maintenance, and industrial assembling. He managed the energy and utilities project at the Vallourec & Sumitomo (VSB) plant. He holds a BEng in Electrical Engineering and graduate degrees in Industrial Automation and Business Management. He is a member of CB-116, which developed the ABNT NBR ISO 50,001 – Energy Management standard. He was responsible for making Vallourec the first steel company in Brazil to achieve this certification. He is a member of the Board of Renewable Energy and Oil & Gas at FIEMG.

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