03 Grandes transformações da gestão de energia

Publicado por Sérgio Grassi em seg, 11/09/2017 - 17:09
transformacoes gestao de energia

O boom das energias renováveis, as mudanças climáticas globais e as novas tecnologias do mundo digital, estão revolucionando rapidamente o mundo da energia. Por outro lado, muitas incertezas rondam este mercado.

Veja abaixo como sua vida será impactada por esta nova realidade.

 

Descentralização

O aumento vertiginoso da geração distribuída tem causado efeitos colaterais notáveis na geração e distribuição da energia. Na Alemanha tem sido frequente o montante de energia gerada de forma distribuída (sem controle pelo órgão gestor), ultrapassar o consumo total de energia nos finais de semana, obrigando as grandes usinas térmicas a reduzirem drasticamente sua geração, ou mesmo procederem um desligamento, o que é uma operação complexa e com riscos atrelados. Para mitigar esta situação, foi criado um incentivo financeiro para aquelas residências que desconectarem seus sistemas da rede nos finais de semana.

O armazenamento de energia é outra tecnologia em franca evolução quando aplicada nos sistemas de distribuição, tem como objetivo reduzir o efeito sazonal da geração distribuída. Sistemas de bombeamento com posterior geração hidráulica, ainda são os mais utilizados. Outras soluções (armazenamento de calor, armazenamento de ar comprimido, baterias estacionárias), se tornam cada vez mais viáveis e frequentes no nosso meio.

 

Descarbonização

Com a crescente redução do custo de instalação da geração solar e eólica, estas tecnologias se tornaram prioritárias nos investimentos para aumento de capacidade do parque gerador mundial. Como exemplo podemos citar o caso dos EUA, onde 73% das novas instalações de geração em 2015 eram renováveis, contra 30% em 2010.

O que motivou esta situação foi sem dúvida a redução dos custos. No caso da solar os custos da geração passaram de 0,25 USD/kWh em 2010, para 0,08 USD/kWh em 2015. Na energia eólica não aconteceu de forma diferente, os custos passaram de 0,12 USD/kWh em 2010 para 0,05 USD/kWh em 2015.

variacao de custos

Metas de geração de gases efeito estufa estão cada vez mais desafiadoras e mobilizam governos e também grandes industrias ao redor do mundo.

Na indústria automobilística, as inovações estão aceleradas. A jovem empresa TESLA, segunda maior fabricante de veículos elétricos do mundo, ultrapassou o valor de mercado de fabricantes centenários e já lança modelos com autonomia de 500km. Tradicional fabricante Japonês já anunciou que 70% de sua fabricação em 2025, será de veículos elétricos.

 

Digitalização

A quarta revolução industrial ou indústria 4.0 que engloba tecnologias para automação e troca de dados em tempo real, facilita a implementação "fábricas inteligentes" com as suas estruturas modulares. Sistemas ciber-físicos monitoram os processos, criam uma cópia virtual do mundo físico e tomam decisões descentralizadas. Com a internet das coisas, os sistemas se comunicam e cooperam entre si e com os humanos em tempo real. Através da computação em nuvem, ambos os serviços internos e externos às organizações, são oferecidos e utilizados pelos participantes da cadeia de valor.

Sistemas e soluções digitais estão cada vez mais acessíveis e são disseminados atualmente em uma velocidade assustadora.

As plataformas de gestão na área de energia são uma realidade e chegaram para proporcionar ganho de produtividade para qualquer tamanho de empresa. Estas poderosas ferramentas, proporcionam um adequado tratamento de dados, os transforma em informação que geram conhecimento. Rotinas de trabalho podem ser automatizadas economizando o precioso tempo das equipes de gestão. Elas podem atuar em todas as fases do ciclo de gestão de energia e utilidades de forma integrada, proporcionando uma visão completa de todo o processo de consumo, geração e emissões de gases de efeito estufa e até gestão de faturas de energia e utilidades.

 

Conclusão

No Brasil ainda vivemos em um ambiente com muitas dúvidas e inseguranças no mercado de energia. De 1995 até 2013, segundo dados da Abrace, vivenciamos uma hiperatividade regulatória que gerou 578 mudanças. Esta hiperatividade absurda, fica evidente quando comparamos o Brasil com outras regiões do mundo, como por exemplo a Grã-Bretanha onde houveram entre 2000 e 2016 apenas 6 mudanças. Outro exemplo é o da Califórnia, onde aconteceram 2 mudanças entre 2000 e 2016.

O que também colabora para um ambiente de insegurança no Brasil, é o volume de processos judiciais na área de energia. Liminares e apelações a instâncias superiores, vem postergando a realização de liquidações do mercado livre e leilões diversos.

Podemos concluir que as mudanças estão cada vez mais rápidas e profundas e a sobrevivência das empresas está relacionada também a esta capacidade de acompanhar tudo isto que vimos acima.

Diretor Comercial , Viridis

Diretor Comercial da Viridis. Trabalhou durante 35 anos na Vallourec do Brasil, nas áreas de energia, manutenção e montagem industrial e coordenou o projeto da área de Energia e Utilidades da usina Vallourec & Sumitomo (VSB). Graduado em Engenharia Elétrica e pós-graduado em Automação Industrial e Gestão de Negócios. Membro da CB-116, que elaborou a ABNT NBR ISO 50.001 – Sistemas de Gestão da Energia, foi o responsável pela certificação da Vallourec como primeira siderúrgica do Brasil nesta norma. É membro da Câmara de Energias Renováveis e Óleo & Gás da FIEMG.  

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