Ações Quick Wins e sua aplicação no contexto de eficiência energética

Publicado por Acriziomar Alves em sex, 11/09/2020 - 21:56
Ações Quick Win e Eficiência Energética

 

Confira o que são as ações do tipo Quick Win, como implementá-las e como elas podem acelerar os ganhos em eficiência energética em sua empresa.

 

Certamente já ouviram a seguinte frase “Se não sabe por onde começar, comece varrendo!”. O conceito desta afirmação pode ser empregado em eficiência energética, através de ações do tipo Quick Win, que são aquelas de natureza simples, ganhos rápidos e com nenhum ou quase nenhum investimento, porém, com potencial absurdamente grande.

A importância desse tipo de atividade está no fato de que, de modo geral, são implementadas facilmente, seus ganhos aparecem de forma rápida e evidente, a disseminação da boa prática acontece de maneira orgânica e necessitam de pouco recurso tanto financeiro quanto de pessoal. Além disso, motivam as pessoas a olharem para os processos e operações de forma mais sistêmica e crítica.

Matriz Impacto versus Esforço das Quick Wins

Figura 1 – Matriz de classificação do “Potencial de benefício x Complexidade das ações” 

 

Como identificar estas ações?

No que se diz respeito à Eficiência Energética, essas Quick Wins estão em grande parte na eliminação dos desperdícios, sejam eles quais forem. A exemplo disso temos o que chamamos de “energia perdida” ou “energia inútil”, que é aquela gasta sem gerar nenhum valor ao produto, como, por exemplo, equipamentos ociosos ligados durante os horários das refeições, set ups ou reconfigurações e trocas de turno. Vazamentos de qualquer natureza também estão nesta lista, principalmente em estações de ar comprimido, bombeamento e geração de calor.

Não menos importante, é possível identifica-las em outros locais, como na falta ou má lubrificação de rolamentos e mancais, superdimensionamento de motores elétricos, operação de linhas abaixo da sua capacidade nominal, transportadores com esteiras mal ajustadas (presença de folgas), queimador de forno bloqueado, furos em sistemas de refrigeração por menor que seja (além do desperdício pode comprometer a qualidade do material armazenado), demanda elétrica super contratada, baixo fator de potência e alto consumo de energia elétrica nos horários de ponta. Além disso, é válido sempre se atentar para outros fatores relacionados à rotina do trabalho do dia a dia, como, padrões operacionais desatualizados/obsoletos e treinamentos vencidos.

 

Lupa sobre o teclado de um computador

Figura 2 – Identificação das ações Quick Wins

 

Como implementar as Quick Wins no contexto de eficiência energética?

Para que a implementação dessas ações aconteça e tenha o efeito esperado, é necessário:

Liderança - Que haja um líder responsável pela iniciativa, ele irá envolver as pessoas, conduzir as reuniões de acompanhamento e “correr atrás” de recursos, caso necessário.

Time – Selecionar uma equipe pequena e multidisciplinar, cerca de 5 pessoas, não mais que isso. Garanta que neste time estejam presentes pessoas da operação, automação/manutenção, de processos/qualidade, de utilidades e segurança do trabalho. As pessoas envolvidas são o principal fator para que tudo aconteça, é importante investir tempo nisso!

Método - Método só existe um, o cartesiano. Porém, há várias metodologias para que se alcance os objetivos. Nesse caso, melhor optar pelo simples com etapas claras. Certamente nas instituições já existem alguns fóruns para iniciativas rápidas e simples. A exemplo, tem-se o A3 Report, ferramenta do Lean Manufacturing desenvolvido pela Toyota que prevê que todas as etapas da solução devem se limitar ao tamanho de uma folha A3, daí o nome.

Esta metodologia é constituída por oito passos sequenciais de mesma importância, baseados no PDCA/SDCA, são eles:

 

Passos do Toyota A3 Report

Figura 3 – Modelo A3 Report 

Fonte: Shmula, 2007 

Contexto – Onde se faz uma breve introdução a respeito da oportunidade mapeada. Apresenta-se um histórico e a motivação em solucioná-la. O ideal é que a motivação esteja ligada a outras metas da área, da unidade e instituição.

Condição Atual – Nessa etapa é descrita a situação atual do evento (indicador abaixo da meta, benchmarking), mapeando as oportunidades com maior nível de detalhamento. Sempre que possível, opte por formas gráficas, histogramas, paretos, gráfico pizza, consumo específicos, entre outras formas visuais. Evite textos longos!

Condição ideal – Nesse item é definido o resultado esperado (meta), além de levantar os ganhos envolvidos, como por exemplo, financeiros, na confiabilidade, em qualidade, de produtividade, na redução de CO2, dentre outros.

Causas primárias – Nesse tópico, o time envolvido deverá mapear quais as causas do problema alvo. Para isso, existem algumas ferramentas, como o diagrama de Ishikawa, os cinco porquês, etc. Assim, as saídas dessa etapa serão base para a criação do plano de ação.

Plano de ação – Aqui, a equipe listará ações de bloqueio para cada umas das causas identificadas no passo anterior, priorizando-as através de uma matriz esforço vs impacto. Ressalta-se que todas as ações devem ter prazo e responsável.

Acompanhamento – A princípio, para essa etapa mantenha uma agenda de reunião semanal, com duração de no máximo 30 minutos com todo o time. Os temas principais abordados deverão ser os resultados medidos, checagem da execução do plano de ação e caso necessário, cadeia de ajuda. Lembre-se, para que esse momento seja aproveitado ao máximo, foque no “o que fazer” e não no “como fazer”.

Conclusão, lições aprendidas e padronização – Após o acompanhamento ter sido realizado (cerca de 4 meses ou mais), já é possível concluir a eficácia das ações e contabilização dos ganhos obtidos. Marque um momento com todo a equipe para que sejam listadas as lições aprendidas e sejam definidas as padronizações da boa prática, isso é de grande importância para disseminação e manutenção do novo patamar de operação atingido.

Portanto, motivar as pessoas, principalmente as envolvidas diretamente na operação, a identificar as Quick Wins na rotina do dia a dia é de fundamental importância, pois apresentam grande potencial de redução de custos, aumento da confiabilidade operacional e produtividade, afinal de contas, “a primeira torcida na toalha é a que se faz menos força e sai mais água!”.

 

Referências: TRACC SOLUTIONS e Voitto - Escola de Gestão.

Analista de Gestão de Energia , Viridis

Analista de Gestão de Energia na Viridis, atuando na Gestão de Energia e Planejamento Estratégico da Bayer. Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em sistemas de potência pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de projetos P&D junto a Petrobrás, pesquisa direcionada à criação de modelos computacionais para análises de fluxo de potência e qualidade da energia.

Comentar