Acordo de Paris: a sustentabilidade em questão

Publicado por Carina Lima em ter, 20/06/2017 - 12:42
Acordo de Paris

O acordo de Paris ganhou destaque após a saída dos EUA em meados de 2017 e voltou à tona nas últimas semanas após o governo brasileiro anunciar que vai estudar os motivos que levam o país a participar do acordo. Apesar das atenções terem se voltado para os impactos ambientais e políticos em um contexto global, como cada empresa pode contribuir para o cumprimento das metas de seu país no acordo?

As empresas estão diretamente ligadas ao aumento de emissões de gases poluentes que consequentemente causam o efeito estufa. Os governantes dos países envolvidos no acordo, cada um a seu ritmo, têm criado incentivos para que as empresas adotem posturas mais sustentáveis através do uso de fontes de energia mais limpas e da busca por eficiência energética.

O que é o Acordo de Paris?

Estudos apontam que o planeta tem um pequeno aquecimento natural ao longo do tempo, porém a intervenção humana acelerou esse processo trazendo consequências críticas para o clima e para o meio ambiente. A comunidade científica associou tais transformações principalmente ao considerável aumento de emissões de gases poluentes, especialmente após a era industrial. Por causa dessas grandes transformações, quase 200 países se uniram para criar um acordo que ajudasse a reduzir a emissão de gases que provocam o efeito estufa.

Em 2015 esse acordo foi firmado, em Paris, que consistiu na união desses países para adotarem medidas de redução da emissão de gases de efeito estufa até o ano de 2100. O principal objetivo é que o aumento da temperatura média global até 2100 fique abaixo de 2ºC e não ultrapasse 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. O tratado engloba também a busca por fontes de energia menos poluentes e uma postura de ajuda aos países menos desenvolvidos para que também alcancem esses patamares de eficiência.

Acordo de Paris logo

O Acordo de Paris e a Eficiência Energética

Atualmente, mais de 50% da energia consumida no mundo é oriunda de combustíveis fósseis como petróleo e carvão mineral. A utilização desse tipo de energia em larga escala é um dos agravantes da poluição, aumentando a emissão de gases e consequentemente o aquecimento global. Estima-se que até 2050 a demanda por energia no cenário mundial possa chegar ao dobro dos patamares atuais, enquanto os acordos relacionados à emissão de gases de efeito estufa pretendem reduzir essas emissões pela metade. Alcançar tais parâmetros é sem dúvidas um grande desafio, mas a busca por fontes energéticas mais limpas, renováveis e menos poluentes é o primeiro passo para que empresas possam contribuir com a redução de emissões.

Outra importante contribuição das empresas é a busca para se tornarem mais eficientes, consumindo cada vez menos energia e assim diminuindo a emissão de gases poluentes. Estimativas da Associação Brasileira de Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco) mostram que o Brasil anualmente desperdiça o equivalente à produção de meia usina de Itaipu. Paradoxalmente, esse desperdício acontece em um país onde a energia é uma das mais caras do mundo, afetando diretamente os negócios das empresas. Nesse sentido, a procura por eficiência energética traz ganhos econômicos e ambientais ao mesmo tempo.

Foi nesse contexto que, no Brasil, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem estimulado e investido em melhorias operacionais e eficiência energética para a indústria brasileira.

 

Saída dos EUA do acordo de Paris e suas consequências

No dia 1º de junho de 2017, Donald Trump anunciou a saída dos EUA do acordo de Paris, gerando grande repercussão mundial. Os Estados Unidos são o segundo país mais poluente do planeta e as consequências desse ato já estão sendo sentidas globalmente.

Segundo o presidente americano, a motivação da saída é a expansão econômica interna do país e o argumento de que os impactos ambientais serão mínimos. Entretanto, o Departamento de Pesquisa Atmosférica e Ambiental da OMM, uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), estima que os EUA podem ser responsáveis por até 0,3°C no aquecimento global até 2100 se não adotarem posturas menos poluentes e prejudiciais ao meio ambiente.

De acordo com um importante relatório científico divulgado por 13 agências federais e apresentado pela Casa Branca no fim de novembro de 2018, diversas advertências foram apresentadas sobre as consequências da mudança climática para os Estados Unidos. Se medidas não forem tomadas para que o aquecimento global diminua, os danos vão chegar a 10% do tamanho da economia americana até o fim do século.

A boa notícia é que apesar da postura do governo Trump, vários governadores e outras autoridades americanas se colocaram contra a saída do tratado e disseram que não irão deixar de cumprir as metas estabelecidas. Outros países também condenaram Washington e reafirmaram seus compromissos com o tratado.

Antecipando a provável saída dos EUA do acordo, a agência de notícias EFE divulgou no final de abril de 2017, pelo WWF (World Wildlife Fund), uma pesquisa que já apontava que grande parte das 500 maiores empresas americanas não pretendiam diminuir os esforços para serem mais eficientes no combate a mudanças climáticas, independente do que acontecesse na esfera política.

Tais manifestações contra a postura de Trump, tanto empresariais quanto de outros líderes mundiais, dão ainda mais credibilidade ao tratado e mostram a importância de uma atitude coletiva em prol do controle climático do planeta.

 

Conclusão

O acordo de Paris foi, sem dúvidas, um grande avanço das políticas ambientais para combater as mudanças climáticas no mundo. Além da mobilização política, o assunto se tornou pauta de discussões com a sociedade, gerando inclusive uma pressão pública para o cumprimento dos objetivos do tratado.

Apenas com a mobilização mundial será possível parar, e quem sabe até reverter, os danos ao meio ambiente e à nossa atmosfera. Sendo assim, é preciso que cada país, cidade e empresa tenham a consciência de que a contribuição individual de cada um é crucial para alcançar os objetivos do acordo e garantir um futuro mais sustentável para o nosso planeta.

 

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Coordenadora de Marketing, Viridis Energy

Coordenadora de Marketing na Viridis, formada em Gestão de Eventos, pós-graduada em Marketing e Comunicação,  certificada em Inbound Marketing pela Hubspot,  possui grande experiência em marketing digital, produção de eventos corporativos, marketing de conteúdo, copywriting, planejamento e vendas SaaS.

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