Como funciona um Power Purchase Agreement e as vantagens em sua adoção

Publicado por Acriziomar Alves em qui, 14/01/2021 - 10:45
Como funciona um Power Purchase Agreement e as vantagens em sua adoção

Dentre os benefícios de adoção de um Power Purchase Agreement estão: economia, previsibilidade e aumento da sustentabilidade em seu negócio.

 

A energia elétrica sem dúvidas está presente em todos os processos industriais existentes, seja ele qual for e é geralmente utilizada de maneira intensiva. Por isso, o mercado mundial está cada vez mais exigente e busca por processos e operações sustentáveis para que o meio ambiente seja preservado ao máximo.Nesse sentido, as organizações que souberem aproveitar as oportunidades existentes para se sobressair nesse momento, certamente serão mais competitivas no futuro. Dentre essas oportunidades vislumbradas, existem os Power Purchase Agreements (PPA’s), que foram idealizados com a abertura do mercado de energia em 1995, apesar de ainda não serem comuns no Brasil.

O que é Power Purchase Agreement?

Power Purchase Agreement ou PPA são contratos de compra de energia a longo prazo, geralmente de 10 anos ou mais, firmados entre empresas eletrointensivas (aquelas que consomem grande volume de energia elétrica em suas operações) atuantes nos seguimentos industrial/Comercial (C&I), com agentes responsáveis por desenvolvimento de projetos de geração de energia elétrica (geradoras). Esses contratos, em sua maioria são aplicados aos negócios voltados para fontes renováveis de energia, tais como eólica, solar, PCH’s (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e biomassa.

Principais características do PPA

O PPA pode ser desenvolvido em duas frentes distintas: física ou virtual. O chamado PPA físico é aplicado onde há construção de um novo empreendimento gerador, mesmo os pontos de geração e consumo não estando diretamente conectados. Dessa forma, no caso do Brasil onde boa parte do sistema elétrico é interligado o comprador, pode se contratar energia de qualquer fornecedor que esteja conectado ao SIN (Sistema Interligado Nacional). Nesse tipo de contratação o registro e contabilização da geração e do consumo devem estar vinculados à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), órgão responsável pela regulação do mercado de energia no Brasil.

Em contrapartida, o Power Purchase Agreement do tipo virtual possui regras mais flexíveis, uma vez que as negociações ocorrem por meio de Contract for Difference (CFD). Assim, as partes realizam as suas liquidações financeiras baseadas no preço de mercado do ativo negociado, nesse caso energia. Esse segundo cenário, é mais comum em países como EUA e Alemanha, nos quais existe transação de energia através de bolsas, as famosas Power Exchanges.

Panorama de adoção do Power Purchase Agreement no Brasil e no mundo

O modelo PPA já é bastante difundido na América do Norte e Europa. Na América do Sul a participação ainda é modesta, no entanto detêm um potencial não explorado bastante considerável. Segundo informações do 1 "os contratos corporativos de compra e venda de energia limpa PPAs, vêm registrando crescimento acelerado no Brasil . Até março de 2019, tinham sido assinados e registrados no país contratos PPA de energia renovável com 250 MW de capacidade de energia; até novembro do mesmo ano, esse volume dobrou, saltando para 590 MW1”, ou seja, esse modelo de contratação tem se intensificado tanto em número quanto em potência instalada.

Mapa de contratos PPA no Brasil

Figura 1- Contratos PPA no Brasil. Fonte: Bloomberg NEF 2019

Mapa Contratos PPA mundo

Figura 2 - Contratos PPA no mundo. Fonte: Bloomberg NEF 2019

Por que escolher o PPA para sua empresa?

O PPA naturalmente apresenta alguns benefícios aos contratantes, três em especial, como:

Econômico

Por se tratar de um novo empreendimento, o preço da energia fica vinculado ao custo de produção da energia propriamente dita e não ao preço aplicado ao mercado, que regularmente sofre diversas influências externas (oferta e demanda, níveis de reservatórios, energia reserva, encargos etc.). Assim, o comprador certamente poderá obter redução no custo da energia com a negociação de preço junto ao fornecedor.

 

Previsibilidade

Por se tratar de contrato a longo prazo, usualmente de no mínimo 10 anos, o Power Purchase Agreeement permite que a empresa esteja menos exposta à volatilidade dos preços do mercado. Dessa forma, o comprador terá condições de se planejar melhor do ponto de vista do custo da sua energia futura. Além disso, muitas instituições consideram previsibilidade mais importante do que redução de custo.

 

Pegada de Carbono

Haja vista o grande objetivo do PPA que é desenvolver empreendimento voltado à geração de energia renovável, a empresa interessada nesse tipo de contratação poderá usá-lo como compensação de carbono. Uma vez que existe a possibilidade de a energia entregue vir com Certificado de Energia Renovável (REC Renewable Energy Certificates) ou Garantia de Origem (GOO Guarantee of Origins), auxiliando no comprometimento global das empresas de reduzir a emissão de GEE (Gases de Efeito Estufa) em suas operações.

 

Quais os riscos em se contratar um Power Purchase Agreement?

Como toda tomada de decisão a longo prazo, alguns riscos inerentes estão envolvidos. No processo de contratação de energia por meio de PPA não é diferente, é possível destacar:

Risco econômico

Tendo em vista a vigência dos contratos, caso o preço futuro da energia negociado no mercado esteja abaixo do previamente firmado junto ao fornecedor, o comprador (empresa) terá prejuízo ao longo prazo e perda de capacidade competitiva e na redução de custos operacionais/produção.Para mitigar esse risco, é possível negociar precocemente reavaliações periódicas de preços ao longo da vigência do contrato com o fornecedor, desde que ambas as partes estejam em comum acordo.

 

Planejamento de consumo

Considerando o prazo de vigência do contrato PPA, o planejamento de consumo e previsão de futuras ampliações por parte do consumidor têm de ser realizadas de forma bastante prudente, visto que, uma exposição seja ela qual for (positiva ou negativa) ao mercado de curto prazo durante esse período, pode levar a resultados não positivos ao balanço da empresa. Além disso, ainda há uma grande dificuldade por boa parte das empresas em entender a dinâmica do consumo energético das suas operações. Para mitigar esse risco, há a possibilidade de negociar junto ao fornecedor algumas ferramentas de contrato amplamente aplicadas no mercado de energia atual, tais como, entrega de energia de acordo com a carga, flexibilidades ou contratação flat.

 

Contraparte

Pelo fato de o Power Purchase Agreement se tratar de um contrato bilateral e normalmente vinculado à construção de ativos, o contratante deve levar em conta o risco de não cumprimento por parte do fornecedor do acordado entre as partes. Dessa forma, para que esses riscos inerentes sejam reduzidos ao máximo, é importante que a instituição cobre os prazos firmados para construção, verifique o lastro comercial e de capacidade do fornecedor, certifique que os prazos de entrega estejam dentro do previsto, além de, se resguardar judicialmente incluindo clausulas específicas contemplando as características e prazos das entregas do produto negociado.

 

Nesse artigo apresentamos as principais vantagens e algumas desvantagens de se adotar os Power Purchase Agreement2. Foi possível perceber que a contratação de energia, por meio de contratos do tipo PPA, são atrativos do ponto de vista econômico e ambiental. Porém, é de suma importância avaliar a fundo as perspectivas da instituição à longo prazo, sobretudo do planejamento estratégico, para que os riscos mencionados acima estejam controlados, fazendo que a tomada de decisão aconteça com tranquilidade.

 

  1. O Setor Elétrico: https://www.osetoreletrico.com.br/novo-guia-estimula-avanco-de-projetos-de-energia-renovavel-no-brasil/ [back]
  2. CEBDS: https://cebds.org/publicacoes/guia-para-power-purchase-agreements-ppa-corporativos-de-energia-renovavel/#.YAAoL-hKhPZ [back]
Analista de Gestão de Energia , Viridis

Analista de Gestão de Energia na Viridis, atuando na Gestão de Energia e Planejamento Estratégico da Bayer. Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em sistemas de potência pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de projetos P&D junto a Petrobrás, pesquisa direcionada à criação de modelos computacionais para análises de fluxo de potência e qualidade da energia.

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