Como a gestão de energia e utilidades está diretamente ligada a sustentabilidade nas empresas

Publicado por Aline Gonçalves em seg, 30/12/2019 - 14:23
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Entenda de que forma a consciência para a Sustentabilidade vai mudar a forma de gerir recursos como Energia e Utilidades em sua empresa.

 

Em agosto deste ano, o New York Times abordou a sustentabilidade como importante pilar dos novos investimentos e modelos de negócio, evidenciando a mudança de paradigma conduzida pelas gerações atuais. A nova força de trabalho quer comprar, trabalhar e investir em empresas alinhadas a seus valores, e está cada vez mais motivada a produzir mudanças positivas que propiciem benefícios à sociedade.

As organizações têm demonstrado interesse em entender como aumentar sua capacidade produtiva, respeitar os aspectos econômicos, sociais e ambientais, além de se preocupar com as futuras gerações, assegurando que elas tenham condições de viver e produzir igual ou melhor.

Em 2015, chefes de estado e de governo e altos representantes de organizações privadas se uniram em Nova Iorque para elaborar um plano estratégico para o Desenvolvimento Sustentável, ou Agenda 2030. Foram enumerados 17 objetivos e 169 metas com a finalidade de direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente. A agenda foi pautada em três dimensões fundamentais para a humanidade: econômica, social e ambiental, ou Triple Bottom Line, termo cunhado pelo John Elkington, fundador de Volans Venture, no Reino Unido.

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No âmbito econômico, destacam-se a governança corporativa, a transparência contábil, a ética nos negócios e a definição de objetivos de longo prazo. A dimensão social busca o cumprimento da legislação, boas condições de trabalho, investimentos na comunidade e o respeito ao consumidor. Já o pilar ambiental traz a reflexão para a redução de desperdícios, a reciclagem, o uso de energias renováveis e o controle de poluentes.

Leia também: Triple Bottom Line: Sustentabilidade e eficiência energética

A gestão com foco na sustentabilidade

A estratégia de sustentabilidade deve estar fortemente atrelada às estratégias do negócio, com a finalidade de estabelecer o conceito de unidade e de ações integradas, assegurando o sucesso da companhia com ações que contribuam para o desenvolvimento sustentável.

A resposta do mercado financeiro às empresas que promovem práticas de desenvolvimento sustentável vem, continuamente, agregando valor e segurança a seus ativos e proporcionando maior retorno aos investidores.

A sustentabilidade na Gestão de Energia e Utilidades

Entende-se que a gestão sustentável dos recursos como energia e utilidades é uma necessidade emergente para tornar o planejamento estratégico mais orgânico e dinâmico. Portanto, ela é muito importante para se empreender visão e missão mais responsivas às demandas do mundo atual.

Gestão de resíduos com Economia Circular

Alcançar a sustentabilidade na gestão de resíduos é imprescindível para se ter liberdade de operação. Ao cumprir as exigências legais na destinação correta de embalagens, além de evitar multas, a Logística Reversa ou Economia Circular dificulta a contaminação do solo, das águas superficiais e dos lençóis freáticos.

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Segundo o Ministério do Meio Ambiente, a economia circular é o processo pelo qual o produto fabricado, após ser consumido, tem sua embalagem conduzida ao ponto de origem. Ela faz parte de uma gestão focada em melhoria contínua e eficiência de processos, que agrega normas e procedimentos para reduzir o volume de resíduos, minimizar os riscos à saúde e melhorar a qualidade ambiental. A economia circular pode ser entendida como um instrumento que coordena o compartilhamento de responsabilidades entre os fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes e consumidores, garantindo a sustentabilidade do ciclo de vida do produto.

Gestão de água e efluentes

O grande desafio da gestão de água e efluentes consiste em aproximar os interesses de toda a cadeia produtiva com foco na conservação dos recursos, garantia de suprimento, uso racional e licença para operar. Além de promover a redução de custos e o gerenciamento de riscos, é fundamental garantir a sustentabilidade das operações, que vão desde a captação, tratamento, reuso e, quando não houver alternativa de reutilização, o tratamento e a liberação dos efluentes no meio ambiente.

No setor industrial, a gestão de água depende da implementação de conceitos de gestão ambiental, ecoeficiência do processo produtivo e aplicação de práticas de produção limpa. Há ainda um grande número de técnicas de tratamento, aplicadas tanto para água, quanto para os efluentes. A escolha de uma ou a combinação de diversas tecnologias deve ser baseada na disponibilidade dos recursos hídricos, localização geográfica, possibilidade de reutilização da água ou modificação do processo e restrições com relação à liberação de efluentes para o meio ambiente.

Gestão de Energia Elétrica

A energia elétrica é considerada um dos principais recursos nas operações industriais e, a depender do setor, pode representar mais da metade dos custos de produção, o que influencia diretamente na concorrência e sobrevivência no mercado atual. Além do impacto financeiro com o aumento das tarifas, e a necessidade de se adequar às normas vigentes, é preciso refletir se a geração, distribuição e consumo estão pautados nas melhores práticas de eficiência energética.

O grande desafio para as companhias é entender como incorporar o conceito de sustentabilidade nos futuros projetos e também nos processos existentes. O primeiro passo a ser dado na jornada de orientação é conhecer a proposta das normas ISO para eficiência energética, ISO 50001 para gestão, ISO 50002 para diagnósticos energéticos, ISO 50006 para medição de desempenho energético e ISO 50015 para medição e verificação de performance de organizações.

O envolvimento da liderança é fundamental para gerar a motivação e influenciar a mudança de cultura na companhia, despertando a consciência para a sustentabilidade em seus colaboradores. Um canal de comunicação aberto entre os operadores e a liderança é importante para encontrar oportunidades de redução de consumo e eficiência energética nos processos internos.

Outras grandes iniciativas para a sustentabilidade na geração de energia elétrica podem ser consideradas, como a migração para o Mercado Livre e a opção de compra de energia 100% renovável, o investimento em geração de energia solar interna ou em parcerias com fazendas solares. No mercado existe ainda opções de certificação da fonte geradora e até mesmo a comercialização de créditos de carbono, mas tudo vai depender da necessidade do negócio de cada companhia.

Leia também: Infográfico Certificação ISO 50001: conceitos e aplicação nas empresas

 

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O próximo passo, mas não menos importante, é estabelecer uma linha de base energética, conforme o International Performance Measurement and Verification Protocol (IPMVP) a fim de quantificar os ganhos de desempenho decorrentes de projetos de melhoria da eficiência. Através de sistemas modernos de gestão de energia e utilidades é possível transformar os dados de projetos, variáveis de processo e premissas financeiras em informações que promovam o aumento constante da sustentabilidade nas operações.

Analista de Gestão de Energia, Viridis

Analista de Gestão de Energia na Viridis, atuando na Gestão de Energia e Planejamento Estratégico da Bayer. Formada em Engenharia Elétrica com ênfase em Controle e Automação pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de projetos P&D para a medição inteligente de energia da CELG e CEMIG, conduziu projetos de inovação, inteligência artificial, robótica e gamification para ambientes corporativos.

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