Como reduzir as multas em contratos de energia na sua empresa

Publicado por Aline Gonçalves em ter, 12/03/2019 - 17:56
Como reduzir as multas em contratos de energia na sua empresa

Você sabe quais são e como evitar as multas que podem incidir na fatura de energia da sua empresa? Neste artigo iremos abordar três situações que podem onerar sua fatura de energia e quais medidas tomar para evitar que elas aconteçam.

 

A redução dos custos operacionais é fundamental para melhorar a precificação dos produtos, além de aumentar a lucratividade e tornar o negócio mais competitivo. Quando se trata de fatores que fogem ao orçamento e impactam diretamente nos indicadores de custo, multas de qualquer natureza ocupam um espaço considerável.

Em se tratando da fatura de energia de sua empresa, não é diferente. As multas incidentes na fatura podem ser erradicadas, mas para isso você precisará entender a causa raiz de cada uma delas, conhecer bem o processo de faturamento de sua empresa, elaborar um plano de ação adequado e criar indicadores para mitigar o grande vilão da acuracidade de seu orçamento.

Ao receber a fatura da concessionária de energia elétrica, quando aplicável, é possível verificar itens considerados como quebra de contrato, ou seja, situações onde a empresa descumpriu as regras de contratação estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), e foi multada por isso. Dentre eles estão: a ultrapassagem de demanda contratada, o consumo de energia reativa em excesso e as multas por atraso de pagamento.

Multa por Ultrapassagem de Demanda Contratada

O sistema elétrico brasileiro é composto por uma rede de distribuição planejada para garantir o atendimento a todos os consumidores. Para assegurar que a energia fornecida seja ininterrupta, segura e de qualidade, é necessário que se conheça bem o perfil de consumo dos clientes atendidos.

O perfil de consumo é também descrito pela demanda contratada, ou segundo o art. 165 da Resolução Normativa ANEEL 414/2010, a média das potências elétricas ativas ou reativas solicitadas ao sistema elétrico pela parcela da carga instalada em operação na unidade consumidora, expressa em quilowatts (kW) e quilovolt-ampère-reativo (kVAr), respectivamente.

Em resumo, a demanda deve ser contratada a partir do somatório das cargas instaladas em sua empresa, dentre elas estão os motores, aquecedores, refrigeradores, lâmpadas, e demais equipamentos elétricos instalados.

O conceito de demanda é utilizado como parâmetro no contrato de fornecimento de energia elétrica para garantir que o consumidor irá operar dentro do limite contratado, evitando assim, a sobrecarga no sistema por falta de planejamento.

Além de sofrer um possível corte no fornecimento de energia, caso o limite seja ultrapassado, o cliente fica exposto à sansão de multa por ultrapassagem de energia, cuja tarifa pode chegar a custar o dobro da tarifa da demanda contratada.

Conhecer bem o seu perfil de carga e contratar um valor adequado de demanda é a primeira maneira de evitar a multa. Porém quando as atividades da empresa já estão iniciadas, é importante acompanhar as melhorias e expansões visto que a inclusão de novos equipamentos impacta diretamente no aumento da demanda requisitada ao sistema elétrico.

Em paralelo com o projeto de expansão, deve-se considerar o somatório das novas cargas, e solicitar um aumento da demanda caso seja necessário. Para solicitar a nova contratação, deve-se entrar em contato com a concessionária local, com antecedência mínima de 30 dias ao início do ciclo de faturamento a ser considerado com o novo valor contratado.

Multa por Consumo de Energia Reativa em Excesso

A energia elétrica responsável pelo funcionamento de equipamentos como motores, refrigeradores e fornos, é composta por dois componentes: energia ativa, medida em kWh e energia reativa, medida em kVAr:

Energia ativa: é aquela que realiza trabalho, ou seja, converte eletricidade em movimento, calor, luminosidade ou outro efeito físico útil;

Energia reativa: tem a função de gerar o fluxo magnético nas bobinas de um motor, por exemplo.

Segundo Kagan, Nelson, em seu Livro Introdução aos Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica (2010), as duas potências são relacionadas através de um fator de eficiência, ou fator de potência, que indica o quão eficiente está sendo o consumo da energia na sua instalação.

Em resumo, quanto mais próximo de 1, mais o consumo está eficiente, ou seja, a instalação está consumindo mais energia ativa do que reativa. Na figura 1 é possível vislumbrar esta relação, e perceber como o fator de potência pode ser calculado.

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Figura 1 - Representação do fator de potência. (Fonte:  Kagan, 2010)

A estrutura do sistema elétrico de transmissão e distribuição de energia não foi planejada para fornecer altos níveis de energia reativa, e mesmo que indispensável para o funcionamento das máquinas elétricas, o consumo em excesso da energia reativa onera o sistema elétrico, o qual prevê cobrança adicional na fatura de energia caso o consumo ultrapasse os níveis permitidos.

Através da relação citada na Figura 1 acima, e do art. 95 da Resolução Normativa nº. 414, a ANEEL regulamenta como sendo 0,92 o limite mínimo do fator de potência para unidades consumidoras do grupo A e B, ou seja, a relação entre a potência ativa e a potência reativa deve ficar entre 0,92 e 1. Caso o fator de potência médio mensal fique abaixo deste nível, o consumidor sofrerá sansão de multa por consumo de energia reativa em excesso no próximo faturamento.

Para evitar que esta situação aconteça, é de responsabilidade do consumidor monitorar o consumo de energia reativa através do desligamento de motores e transformadores que estejam operando a vazio, avaliar a possibilidade de troca de equipamentos obsoletos por máquinas mais eficientes, caso seja aplicável, realizar o projeto e instalação de banco de capacitores, além de ter um plano de manutenção efetiva nos bancos já instalados.

Multa por Atraso de Pagamento

Outro encargo que impacta negativamente no planejamento de custos com energia elétrica são as multas provenientes do atraso de pagamento das faturas. Pode parecer algo simples, mas em empresas de grande porte que possuem inúmeras unidades consumidoras, e por consequência, inúmeras faturas de energia, a gestão aliada com o processo de compensação da companhia pode se tornar uma atividade morosa.

A primeira medida a ser tomada (e mais simples até o momento) é ter uma relação completa de todas as unidades consumidoras, assim como as suas datas de emissão e vencimento das faturas. Posteriormente entender como funciona o processo de compensação de faturas da sua empresa e caso não tenha, desenhar um fluxo das atividades relacionadas, definindo ações e responsáveis para cada uma delas.

Caso seja necessário, negocie com o fornecedor a melhor data para pagamento, que se adeque dentro das possibilidades da sua empresa. Outra medida é monitorar as multas através de indicadores de qualidade, criando planos de ação para evitar que as multas por atraso aconteçam novamente. Escreva também procedimentos operacionais relacionados ao pagamento das faturas de energia, treine o pessoal envolvido e mantenha um plano de revisão atualizado.

Como eliminar as multas através de um sistema de gestão de energia

Agora, imagine um cenário onde as três situações citadas acima, Ultrapassagem de Demanda, Consumo em Excesso de Energia Reativa e Atraso de Pagamento, possam ser gerenciadas de forma facilitada, sem o uso de inúmeras planilhas, e ainda com monitoramento em tempo real!

Acredite: Este cenário já é uma realidade para quem usa um Sistema de Gestão de Energia e Utilidades.

Através da leitura dos medidores de energia, e monitoramento dos dados em painéis de controle gerenciais, você poderá conhecer o seu perfil de utilização do sistema elétrico. Será possível tomar decisões mais assertivas na contratação dos níveis de demanda, e se necessário, realizar o dimensionamento de controladores, com a intenção de evitar que as multas por ultrapassagem de demanda aconteçam.

Fazendo a gestão do seu consumo de energia reativa em tempo real, é possível visualizar qual setor precisa passar por uma inspeção no banco de capacitores, e até mesmo um redimensionamento dos componentes para que possa operar da melhor maneira.

Um sistema de gestão de energia traz a realidade do processamento automático das faturas, oferecendo a facilidade de administrar quais chegaram, suas datas de vencimento e realizar a integração com ERP (Enterprise Resource Planning) para posterior pagamento automático. Outro benefício é a possibilidade de analisar os dados históricos das faturas a fim de criar comparativos, fazer auditorias de acordo com regras de contratos e da Aneel, e até simular faturas a partir de uma situação pré-estabelecida.

Com estas medidas e um sistema de gestão de energia e utilidades eficiente e completo você conseguirá realizar uma gestão eficiente de custos, impedindo que sua empresa volte a pagar multas por atraso de pagamento.

 

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Analista de Gestão de Energia, Viridis

Analista de Gestão de Energia na Viridis, atuando na Gestão de Energia e Planejamento Estratégico da Bayer. Formada em Engenharia Elétrica com ênfase em Controle e Automação pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de projetos P&D para a medição inteligente de energia da CELG e CEMIG, conduziu projetos de inovação, inteligência artificial, robótica e gamification para ambientes corporativos.

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