Como reduzir o consumo de energia e utilidades por meio da transformação digital?

Publicado por Bruno Santos Pimentel em qui, 25/04/2019 - 20:35
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Entenda como capturar os benefícios da transformação digital de forma rápida, eficaz e sustentável para obter resultados em redução de consumo de energia e aumento de eficiência em sua empresa.

 

Mas se o termo “informatização” já é tão antigo, por que vemos agora esta nova onda de “transformação digital”? Podemos recorrer aos maiores avanços tecnológicos recentes: mobilidade, capacidade de processamento e armazenamento e a imensa disponibilidade de dados. Porém, a transformação digital incorre fundamentalmente em uma transformação cultural facilitada, ou consolidada, por tecnologias digitais.  

Organizações que têm uma parcela significativa de seus custos em energia e utilidades – praticamente e cada vez mais, todas elas – podem se valer dos esforços em processos, cultura e tecnologia para identificar ineficiências, eliminar perdas, reduzir emissões de resíduos e gases de efeito estufa, aumentar o rendimento de processos, a previsibilidade da operações, a produtividade das equipes, e a efetividade de seus contratos de fornecimento de energia e utilidades – todas com efeito direto ou indireto em custos. 

O importante é conseguir capturar todos esses benefícios de forma rápida, eficaz e sustentável. A velocidade é relativa, mas pode conferir vantagem competitiva importante em qualquer segmento; por sua vez, a eficácia das ações de transformação deve ser inquestionável; e a própria cultura de transformação e eficientização deve ser sustentada no curto, médio e longo prazos. E é justamente aí que a transformação digital, conforme definida acima, tem a sua maior contribuição. 

Leia mais:  A transformação digital como aliada da gestão de energia e utilidades 

Velocidade 

A velocidade pode vir de duas fontes: da própria tecnologia, materializada em dispositivos, plataformas e sistemas de alto desempenho; e da agilidade organizacional, que se manifesta em cultura, pessoas e processos inspirados pelos preceitos do Manifesto Ágil.  

Na interseção podemos imaginar, por exemplo, uma sistema de software para gestão de energia e utilidades que seja capaz de identificar situações de anormalidade em um determinado processo – por exemplo, o consumo de um insumo energético bastante superior ao esperado para um dado nível e contexto de produção – e notificar as pessoas responsáveis para que possam identificar as possíveis causas e tomar as ações corretivas. Ainda melhor, alertas como o do exemplo acima poderiam ser gerados sobre a própria tendência de anormalidade, de modo a evitar que o problema em questão se materializasse. 

Em ambos os casos, a velocidade na resposta – seja na correção, seja na prevenção – confere ganhos diretos à organização e aos responsáveis pelo processo. 

Eficácia 

A eficácia pode se apoiar na grande capacidade que as (boas) soluções tecnológicas têm de organizar dados, facilitar análises, e suportar decisões mais assertivas. Por outro lado, cabe ao humano escolher os problemas certos a serem resolvidos, e as ferramentas mais adequadas para garantir a eficácia de sua solução. 

Talvez o exemplo mais frequente, na nossa experiência, seja o desenvolvimento de modelos baseados em Machine Learning para análise e predição do desempenho energético de ativos e processos. 

Bons modelos de predição de eficiência energética devem ser construídos a partir de bons conjuntos de dados (“bons” em termos de quantidade, qualidade e diversidade). 

Modelos de predição construídos a partir de dados imprecisos ou incompletos dificilmente serão eficazes. Da mesma forma, bons modelos dificilmente serão eficazes caso os dados de entrada sejam de baixa qualidade. 

Leia mais: Como construir modelos de predição de consumo de energia 

Sustentabilidade 

A sustentabilidade, no nosso contexto, vai além do desempenho ambiental. Também estamos falando da capacidade de uma organização de dar sustentação e continuidade, no longo prazo, nos esforços de transformação e na sua consequente captura de valor.   

Essa sustentação deve ser robusta o suficiente para suportar as incertezas inerentes a qualquer iniciativa que contenha algum grau de inovação, seja na tecnologia, seja na sua adequação ao desafio em questão, seja na sua efetividade. 

A partir da captura de dados de consumo energético e variáveis de processo que consigam explicar o contexto em que um determinado ativo opera, espera-se que oportunidades de economia possam ser identificadas. A magnitude desses ganhos dependerá de vários fatores: da sofisticação e complexidade do processo, do nível de instrumentação e controle, e da maturidade do time responsável pela sua operação. 

Assim, é comum que diferentes iniciativas tenham diferentes retornos – inclusive negativos. Uma estratégia que seguimos frequentemente é tentar colher as “low hanging fruits”, aqueles problemas de baixo risco e alto impacto – por exemplo, o consumo de energia inútil nos intervalos de processos produtivos em batelada; os desperdícios de água ou gases de processo quando a apuração de consumo é feita por rateio entre as áreas consumidoras, e não por medições individualizadas; ou mesmo estratificar o consumo específico de energia de um determinado processo em termos de suas variáveis de contexto (mix de produtos, qualidade da matéria prima e dos insumos energéticos, capacitação dos operadores). 

Mas à medida em que a maturidade de gestão de energia de uma organização aumenta, as boas oportunidades estarão em galhos mais altos da nossa árvore metafórica. E alcançá-las pode demandar explorar oportunidades em que as chances de realização de seu potencial não são tão claras assim – por exemplo, identificar “golden batches” (aquelas corridas em que tudo deu certo) a partir de um grande volume de dados históricos sobre um determinado processo produtivo, explicar o modelo e reproduzir seus resultados; analisar todos os parâmetros e variáveis de decisão (técnicas, energéticas e financeiras) de um determinado processo e otimizar seu desempenho combinado; e até mesmo explorar um grande número cenários de planejamento energético de uma operação industrial e sua exposição aos riscos financeiros inerentes à contratação no mercado livre de energia. 

Uma boa carteira de transformação digital deve balancear iniciativas com diferentes níveis de risco e potencial de retorno. E sustentar o movimento de transformação mesmo quando os riscos se realizam na direção da falha é fundamental – mas claro, realimentando todo o processo de ideação, experimentação e aprendizado de modo a aumentar suas chances de criara impacto positivo no curto e no longo prazo. 

Quando uma organização é capaz de convergir seus esforços de transformação digital com agilidade, eficácia e sustentabilidade, os resultados em redução de consumo energético e aumento de eficiência certamente serão alcançados. E com o apoio de uma boa plataforma para gerenciamento de energia e utilidades, a abrangência e as chances de sucesso dessas iniciativas serão potencializadas. 

Gerente de Produto, Viridis

Gerente de Produto da Viridis, com mais de 20 anos de liderança em programas de inovação e tecnologia em organizações industriais de grande porte. Doutor e mestre em Ciência da Computação pela UFMG, Bacharel em Engenharia Mecânica, Innovation & Sustainability Fellow at Sloan School of Management, MIT. Larga experiência na gestão de projetos e equipes de inovação aberta com indústria, academia e startups, aplicando tecnologias digitais e analytics a desafios em produtividade, estratégia e desenvolvimento sustentável.

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