Custeio de Energia e Utilidades – Parte 1

Publicado por Thiago Turchetti Maia em qua, 15/03/2017 - 16:13
Custeio de Energia e Utilidades

No primeiro artigo da nossa série sobre gestão, nós argumentamos que apesar de sistemas de gestão de energia estarem geralmente associados a iniciativas de aumento de eficiência energética, existem outras funções gerenciais que eles poderiam melhorar para criar valor. Neste segundo artigo, dividido em duas partes, exploramos o tema de contabilização de custos, particularmente no caso de energia e utilidades.

A maioria das empresas com operações sensíveis a custos dedicam tempo e esforço de sua liderança para gerir seus custos. Quanto mais apertadas as margens do negócio, maior será sua sensibilidade para variações de custos e, geralmente, mais atenção será dedicada. O bom custeio normalmente requer a apropriação de diferentes fontes de custos a múltiplos centros de custos. A estrutura de centros de custos varia de negócio para negócio, mas uma das práticas mais comuns é carregar custos em centros de custos para os quais há gestores diretamente responsáveis. O objetivo é se atingir a responsabilização de custos (em inglês accountability), que também requer a estrutura corporativa apropriada para se demandar desempenho de gestores com base em seus números. Quando esse processo é bem feito, os gestores sentem a pressão para cortarem custos diretamente na sua última linha de resultado, e se esforçam para melhorarem o desempenho econômico de suas operações. Quando mal feito, isto é, quando custos não são corretamente apurados ou quando resultados não são diligentemente exigidos, custos se tornam uma prioridade mais baixa para a organização, com as inevitáveis consequências resultantes.

Uma outra forma frequente e complementar de se calcular custos é avaliar precisamente os custos de produção de operações que produzem múltiplos produtos ou serviços. Novamente, o propósito é se atingir a responsabilização de custos, mas desta vez os centros de custos correspondem a produtos ou linhas de produtos específicos, ao invés de partes de uma operação e seus responsáveis. Quando bem feito, a empresa entende os custos de cada um de seus produtos com precisão, o que é particularmente bem-vindo em negócios com margens apertadas. Quando mal feito, produtos que gastam menos insumos pagam a conta de produtos que gastam mais, prejudicando estratégias de precificação e iniciativas de melhoria.

Voltemos agora para gestão de energia e utilidades. Apropriar custos de insumos ordinários inventariados é uma tarefa relativamente fácil. O próprio fato de itens estocáveis serem visíveis e contáveis faz com que sua contabilização seja mais simples. Outros tipos de estoque como matérias-primas sólidas também são visíveis, mas precisam ser pesados, o que complica um pouco o trabalho, apesar de não passarem desapercebidas. Por outro lado, insumos fluidos como líquidos, gases e até eletricidade, são facilmente distribuídos através de grids de tubulações ou cabeamento, e não são visíveis, o que complica sua contabilização. Cada equipamento cujo consumo deve ser apurado com precisão requer um medidor dedicado. Dependendo da operação, gerenciar uma infraestrutura de medição espalhada sobre grandes grids de distribuição está longe de ser uma tarefa trivial. Para complicar ainda mais o cenário, medidas de fluxos devem ser feitas constantemente, em tempo real, e depois agregadas no tempo para produzirem indicadores com algum significado. Gerenciar todos esses dados requer avaliar o status de cada medidor, identificar problemas de qualidade nos dados, balancear grids, avaliar regras de custeio e outras atividades que demandam esforços adicionais das equipes de automação e TI.

Nem todas as empresas têm todos esses recursos já disponíveis. Algumas pecam na infraestrutura de medição, outras no gerenciamento de dados, outras na própria gestão. O resultado é o mesmo: a distribuição de custos se torna um exercício de adivinhação, e todas as iniciativas técnicas ou gerenciais que se seguem ficam prejudicadas.

Na parte 2 vamos tratar de regras de custeio, os problemas de se distribuir custos (e responsabilidades) entre gestores, e o que se esperar de um sistema de gestão de energia. Fique ligado!

A plataforma Viridis faz todo o gerenciamento de dados necessário para uma boa gestão de custos, automatizando o processo completo desde medidores e regras de custeio até indicadores e transações contábeis. O módulo de custeio do Viridis se integra diretamente com sistemas ERP, melhorando a precisão, velocidade, transparência e agilidade do processo.


CEO, Viridis

Sócio-fundador da Viridis. Possui 20 anos de experiência na liderança de empresas de alta tecnologia com foco em mercados internacionais. Carreira inclui projetos de tecnologia e inovação nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Doutor e Mestre em Engenharia Elétrica pela UFMG, Bacharel em Ciência da Computação, MBA em Finanças. Conduziu projetos de pesquisa e colaboração acadêmica para a aplicação de inteligência artificial a problemas industriais. É atualmente Presidente do Conselho Deliberativo da Fumsoft - Sociedade Mineira de Software, da qual foi Presidente do Conselho Diretor.

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