Custeio de Energia e Utilidades – Parte 2

Publicado por Thiago Turchetti Maia em qui, 23/03/2017 - 16:43
Custeio de Energia e Utilidades

Na primeira parte deste artigo nós discutimos como uma boa contabilidade de custos pode criar valor quando bem feita, e também algumas das armadilhas relacionadas à apropriação de custos de energia e utilidades em fluxos contínuos. Nesta segunda e última parte, examinaremos regras de custeio, responsabilização de custos e expectativas em relação a sistemas de gestão de energia.

Boas regras de custeio são o alicerce de uma boa contabilidade de custos. Regras de custeio determinam como o consumo contínuo de energia e utilidades, idealmente medido por uma rede de medidores, será traduzido em transações contábeis associadas a centros de custos. Como muitas outras coisas em gestão, boas regras contribuem para a acurácia, transparência e responsabilização de custos, enquanto regras ruins fazem exatamente o oposto. Boas regras minimizam rateios e tentam empregar custeio direto o máximo possível, criando uma associação direta entre o consumo apontado por medidores em partes específicas da operação com os valores lançados em seus centros de custos correspondentes.

Desenvolver um bom conjunto de regras de custeio depende portanto da infraestrutura disponível. Se não há medidores suficientes, mais custos serão apropriados de forma indireta, ao invés de direta. Existem muitos pontos de vista sobre o problema de apropriação de custos indiretos, alguns advogando em favor de sua separação em centros de custos isolados, outros em favor de sua distribuição (rateio) entre centros de custos que também recebem custos diretos. A escolha na maioria das vezes depende das preferências contábeis de cada empresa, além das conhecidas disputas políticas entre gestores. Mesmo assim, poucos questionariam que o rateio de custos diretos devido à falta de uma infraestrutura de medição adequada está longe de ser uma boa prática, ainda que este cenário seja comumente encontrado em negócios de toda natureza.

A responsabilização de custos também sofre quando a infraestrutura de medição deixa a desejar ou quando regras de custeio indireto penalizam os centros de custos dos gestores. De fato, não ter controle total sobre seus centros de custos é uma das desculpas mais usadas por gestores para não se responsabilizarem pela eficientização de suas operações, mesmo quando os critérios de rateio são claros. Essa é mais uma faceta do conflito entre o comportamento individualista ou coletivista no ambiente de trabalho. Quando qualquer atitude, boa ou ruim, é diretamente traduzida em medidas e indicadores numéricos, fica mais fácil para a empresa cobrar resultados e mais difícil para gestores escaparem de suas responsabilidades.

Ter uma infraestrutura adequada assim como um arcabouço corporativo de cobrança por resultados definitivamente são bons pontos de partida para se criar valor através de uma boa disciplina de custeio. Esse, entretanto, não é o fim da estrada. Regras de custeio devem ser revistas periodicamente, capturando mudanças no negócio que podem facilmente comprometer o desejado processo de responsabilização por custos. Em alguns casos, regras dinâmicas de custeio podem ser utilizadas para mapear diferentes formas de se rodar a operação ou ainda flutuações na utilização de equipamentos. Além disso, centros de custos especiais podem ser criados para enfatizar perdas e ineficiências, ajudando a empresa a reforçar a mensagem. Não há nada que chame mais a atenção de altos gestores do que ver um número grande ao lado de uma legenda dizendo "desperdício e perdas" ou "consumo não produtivo".

Sistemas de gestão de energia podem ajudar muito na disciplina de custeio. Primeiro, eles geralmente automatizam uma série de tarefas ingratas mas necessárias para se apropriar custos de energia e utilidades manualmente. Dentre elas a verificação e higienização de dados de medição, o cálculo das regras de custeio e a devolução dos resultados à organização através de sistemas de gestão integrados e relatórios gerenciais. Segundo, eles eliminam estimativas, erros e adaptações que normalmente prejudicam a disciplina. Como resultado, não apenas a produtividade aumenta, mas também a transparência, confiança, e em última instância, a responsabilização por custos.

A plataforma Viridis gerencia toda a disciplina de custeio de energia e utilidades, desde dados de medição à carga automática de transações contábeis em sistemas ERP. Regras de custeio direto e indireto com múltiplas fontes de custos são suportadas, e gestores contam com recursos de rastreamento dos apontamentos em seus centros de custos para aumento da transparência e promoção da responsabilização.


CEO, Viridis

Sócio-fundador da Viridis. Possui 20 anos de experiência na liderança de empresas de alta tecnologia com foco em mercados internacionais. Carreira inclui projetos de tecnologia e inovação nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Doutor e Mestre em Engenharia Elétrica pela UFMG, Bacharel em Ciência da Computação, MBA em Finanças. Conduziu projetos de pesquisa e colaboração acadêmica para a aplicação de inteligência artificial a problemas industriais. É atualmente Presidente do Conselho Deliberativo da Fumsoft - Sociedade Mineira de Software, da qual foi Presidente do Conselho Diretor.

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