Dados vs. Fatos

Publicado por Ricardo Giacomin em qua, 08/03/2017 - 18:32
Dados vs. Fatos

Aqueles que têm alguma vivência com práticas de manufatura enxuta (lean manufacturing) provavelmente já ouviram ou leram a seguinte frase de Taiichi Ohno, da Toyota: “Dados são claramente importantes em manufatura, mas eu coloco mais ênfase nos fatos”. O que ele sugeriu é não (apenas) confiar em relatórios, mas ir periodicamente ao gemba – um termo em japonês que significa ambiente de trabalho.

Frequentemente, discutindo as práticas de gestão de energia nas empresas, ouvimos “orgulhosos” gerentes argumentando que estão muito bem, pois já têm milhares de tags sendo registradas no sistema historiador, já recebem diariamente um relatório de consumo de cada linha de produção, que conseguem fazer todas as apropriações contábeis ainda no primeiro dia útil do mês subsequente, ou ainda que têm o histórico dos últimos 3 anos de faturas de todos os seus milhares de sites. Não demora muito – normalmente umas 5 perguntas – até entenderem que têm à sua disposição apenas dados e que estes, por não carregarem informações do gemba, não revelam os fatos importantes que levariam a ações efetivas.

O objetivo deste post não é elaborar sobre a pictórica hierarquia de “dados, informações e conhecimento”, mas demonstrar como um adequado sistema de gestão de energia pode promover uma gestão baseada em fatos.

É função de um sistema de gestão de energia manter um histórico de medições relevantes, tipicamente oriundas de medidores de consumo, diferentes tipos de instrumentação ou observações humanas. Isolados, esses dados ajudam a responder perguntas como: O que? Onde? Quando? Quanto? Conseguimos, portanto, reportar quando cada equipamento consumiu de cada insumo energético em um determinado período de tempo. Mesmo sem julgar se os dados estão corretos (essa é matéria para outro artigo onde trataremos de qualidade de dados de energia), cabe uma crítica quanto a essa abordagem baseada apenas nos dados de consumo. Uma questão crucial permanece sem resposta: Por que? “Por que o equipamento apresentou aquele determinado comportamento?”

O ingrediente que falta no método acima é o que chamamos contextualização. Somente a partir do conhecimento do contexto de um equipamento (do gemba) é possível explicar as razões para seu comportamento energético. Um consumo relativamente elevado pode ser explicado por fatores como temperatura ambiente, tipo de produto sendo fabricado, configuração do equipamento, matéria-prima empregada, operador responsável, volume produzido, entre outros. Estes atributos conferem contexto às informações de consumo, ajudando a explicá-las e destacando fatos relevantes.

Um bom sistema de gestão de energia alinha no tempo os dados de medição com informações de contexto dos equipamentos, servindo estas como pano de fundo para a análise do comportamento energético dos ativos. Permite que KPIs de consumo sejam estratificados pelas variáveis de contexto que sobre eles exercem influência. Monitora o desempenho real de cada equipamento, confrontando-o com o padrão esperado para o contexto particular em cada momento.

A infraestrutura de medição e a coleta de grandes volumes de dados é condição necessária, mas não suficiente para uma gestão efetiva. Perspectiva, contexto, referência e entendimento são igualmente necessários. Somente através desta sistemática integrada é possível fazer uma gestão baseada em eventos relevantes. Ao selecionar um sistema de gestão de energia para ajudá-los na busca por maior eficiência operacional, gestores devem se perguntar se dados e relatórios lhes bastam ou se devem “colocar mais ênfase nos fatos”.

A Viridis desenvolve soluções de gestão de energia e utilidades baseadas em big data. Para nós, entretanto, os grandes volumes de dados não são suficientes. Nossos produtos empregam algoritmos de contextualização, de identificação de padrões, construção de modelos e identificação de fatos relevantes a partir de um extenso data lake de dados operacionais. Um de nossos diferenciais é exatamente ajudar a responder os “porquês” do consumo energético e efetivamente promover ações para o aumento de eficiência.


EVP, Viridis

Sócio-fundador da Viridis. Possui mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento e comissionamento de sistemas de tecnologia para clientes industriais. Liderou projetos na América Latina, Europa e Estados Unidos para empresas de diferentes segmentos industriais. Especialista na concepção, projeto e implantação de soluções de tecnologia para gestão de chão-de-fábrica. Mestre e Bacharel em Ciência da Computação pela UFMG.

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