Diagnóstico Energético: O que é e como fazê-lo?

Publicado por Acriziomar Alves em qua, 14/10/2020 - 22:07
Diagnóstico Energético: o que é e como fazê-lo

 

Com o intuito de gerar ganhos em eficiência energética e promover a sustentabilidade nos processos empresariais e industriais, a realização de um diagnóstico energético é essencial, veja a seguir como aplicá-lo.

 

Na gestão de energia e utilidades quando se quer melhorar algum processo ou operação do ponto de vista energético, o diagnóstico energético se apresenta como uma ferramenta poderosa.

Diagnóstico Energético é uma definição utilizada pela ISO 500021, trata-se de uma análise do desempenho energético de um determinado processo ou operação, com base na metodologia PDCA. Tem como objetivo fornecer informações claras e confiáveis para tomada de decisão, sempre com foco na melhoria do desempenho energético do objeto de estudo (área de interesse consumidora e/ou geradora de energia).

Para que o diagnóstico seja conduzido de forma assertiva e forneça informações úteis, nada mais natural do que ser baseado em método, dessa forma, existem alguns passos sequenciais que devem ser seguidos à risca.

Ciclo PDCA e Diagnóstico Energético

Imagem 1 - Ciclo PDCA

(P) Planejamento do Diagnóstico

São definidos alguns itens crucias para início do trabalho, tais como:

Equipe – É aconselhável que as pessoas que irão fazer parte do diagnóstico tenham educação/formação para tal, conhecimento técnico específico na área de energia e estejam familiarizadas com processo/operação alvo. Deve haver também um líder, que além de atender aos requisitos anteriores, possua expertise em gerenciamento, sobretudo de pessoas.

Escopo – O escopo do diagnóstico deve ser definido previamente, assim como as fronteiras (etapa de operação ou processo que será alvo) e o objetivo. Esses itens têm de ficar claros para que não se perca o foco durante a análise.

Critérios de priorização – Este tópico se refere à definição dos critérios de avaliação e priorização das oportunidades mapeadas, como por exemplo, ações sem investimento (ou de payback rápido), maior redução de consumo, de implementação rápida, etc. Esses critérios darão base e direção à equipe responsável pelo diagnóstico.

Além destes supracitados, é recomendável que a área na qual o diagnóstico será executado seja comunicada com antecedência e o cronograma do diagnóstico validado junto a eles. Além de, alinharem o acesso aos dados do setor, seja KPIs ou indicadores-chave de desempenho, procedimentos operacionais, fluxogramas, manuais, etc.

(D) Levantamento de dados

Nessa etapa deverão ser levantados todos os dados necessários para a futura análise, tais como:

  • Matriz energética do setor;
  • Pareto dos consumidores significativos de energia dividido por fonte (elétrica, gás, biomassa, etc);
  • Histórico de consumo;
  • Relação de medidores disponíveis;
  • Relação das variáveis relevantes (que são aquelas que impactam no consumo de energia, como temperatura, vazão, pressão, etc);
  • Preços dos contratos de energia vigentes e um possível diagnóstico anterior, caso exista;

(D) Visita ao local

Tem como objetivo principal obter mais informações a respeito do processo ou operação, principalmente as que não estão contidas em “papel”. Dessa forma, o ideal é que antes da visita, o time responsável pelo diagnóstico faça uma breve análise dos dados obtidos anteriormente (KPIs, paretos, procedimentos etc.).

O foco da visita deve estar direcionado à identificação de oportunidades como: “energia perdida” em vazamentos e equipamentos ligados sem necessidade; observar o comportamento dos operadores frente ao consumo de energia; evidenciar possíveis possibilidades de mudança de tecnologia; além de certificar que a operação é estável (utilizando como referência os resultados históricos).

Sempre que possível, fale com os operadores: elabore perguntas para que sejam feitas a cada um, em especial aos que operam os consumidores significativos. Lembre-se de anotar tudo que for dito durante a visita, essas informações são de grande valia nas análises.

(C) Análise dos dados

Se refere à busca e identificação de lacunas (oportunidades) energéticas presentes no setor diagnosticado. Para isso, comece pelas que podem ser identificadas mais facilmente, como por exemplo, os desperdícios, ausência de procedimentos, dentre outras. Avalie as possíveis causas dos desperdícios, aderência aos procedimentos e vigência dos treinamentos.

Em um segundo momento, mergulhe nos dados adquiridos. Primeiro se atente aos dos maiores consumidores identificados por meio de pareto. Compare o desempenho do setor com outro dentro da própria instituição ou fora dela. Correlacione as variáveis relevantes deles com seu desempenho energético. Critique a correlação quanto ao observado na realidade, avaliando se de fato a operação está monitorando as variáveis que impactam o consumo.

Certifique-se que os controles automáticos presentes estejam bons (erro de regime permanente próximo de zero). Verifique os set points atuais ajustados, o controle pode estar bom, mas o set point talvez nem tanto. Critique os indicadores atuais do setor quanto à aplicabilidade e significância para o processo e/ou operação, fuja dos KPIs “melancia” (verdinho por fora e vermelho por dentro, aqueles que numericamente estão bons, porém não retratam a realidade da operação), seja crítico. Importante ressaltar que caso necessário, retome à etapa anterior e obtenha mais dados para a análise, a busca por informações é fundamental para uma análise bem feita. Por fim, liste as lacunas observadas para que sejam relatadas posteriormente.

(A) Comunicação dos resultados

O report das oportunidades mapeadas durante o diagnóstico pode ser feito de várias formas, seja por meio de relatórios, apresentações ou reuniões. Fato é que alguns itens devem estar presentes nessa comunicação como: resumo executivo; principais indicadores analisados; estimativa da lacuna encontrada por insumo energético; dificuldades encontradas; sugestões para análises mais profundas caso necessário e conclusões feitas (proposta de ações); entre outros. A partir disso, a área responsável terá base para criação do plano de ação e cabe à liderança cobrar a execução e o acompanhamento deste plano.

Portanto, através do diagnóstico energético bem elaborado e aplicado, são encontradas informações importantes para melhorias tanto do ponto de vista energético, quanto em qualidade e produtividade. Afinal de contas esses pilares são complementares e devem caminhar juntos rumo à excelência.

A NBR ISO 50002 de 11/2014 – Diagnósticos energéticos – Essa norma contempla requisitos e orientação para a elaboração de diagnósticos energéticos, os quais podem ser aplicados a todo e qualquer estabelecimento, organização independente do nicho de mercado pertencente, além de englobar todas as formas de energia e seus usos. Fonte: ABNT

Analista de Gestão de Energia , Viridis

Analista de Gestão de Energia na Viridis, atuando na Gestão de Energia e Planejamento Estratégico da Bayer. Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em sistemas de potência pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de projetos P&D junto a Petrobrás, pesquisa direcionada à criação de modelos computacionais para análises de fluxo de potência e qualidade da energia.

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