A gestão de energia em empresas de saneamento

Publicado por Sérgio Grassi em sex, 09/03/2018 - 13:39
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Uma análise da importância da gestão de energia como estratégia de melhoria de processos e redução de custos nas empresas de saneamento do país.

Recursos tecnológicos como Internet das Coisas, Sistemas Cognitivos, Inteligência Artificial, dentre outros, estão disponíveis para empresas que necessitam vencer desafios em diversas áreas, incluindo o setor de saneamento. Diante desse cenário, a área de gestão de energia e utilidades se tornou estrategicamente importante e ganhou visibilidade, visto que movimenta vultosas somas de dinheiro nos quatro cantos do mundo.

A realidade brasileira na área de saneamento

O Brasil possui um significativo déficit no atendimento à população quando se fala em tratamento de água e esgoto. Segundo dados do SNIS - Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, a cobertura dos serviços de água no país, em média, não passa de 85% da população. Estados como São Paulo e Paraná tem índices superiores a 90%, mas estados do Norte como Pará e Maranhão, não atingem 60% de cobertura.

Quando se fala em cobertura dos serviços de esgoto, a situação é ainda mais crítica. No país a média de atendimento gira em torno de 48% e as defasagens são grandes entre os estados: São Paulo tem uma cobertura acima de 70% enquanto nos estados do Norte os serviços de esgoto não passam de 11%.

Por outro lado, o índice de perdas de água na distribuição é assustador e chega a 36% na média do país. Neste caso também existe uma dispersão muito grande entre a realidade dos estados. Podemos observar que os estados que possuem perdas em torno de 60% são os que tem os piores índices de cobertura do serviço – algo variando entre 40% e 60%.

Segundo o Plansab, apesar do índice de atendimento urbano de água no país ser 93,9%, apenas 57% é considerado atendimento adequado e 37% precário, ou seja, possuem intermitência prolongada do fornecimento, racionamento e água fora dos padrões de potabilidade.

Por outro lado, a situação do tratamento de esgoto nas cidades não é diferente. Menos da metade, ou seja, 45% do tratamento é considerado atendimento precário (fossa rudimentar e coleta não seguida de tratamento).

As melhores referências do mundo, de países mais desenvolvidos, contrastam bastante com a brasileira. Se considerarmos o índice de perdas de água, teremos que sair dos atuais 36% e atingir algo em torno de 15% que já são atingidos nos EUA e Coréia do Sul. Se formos falar em referências para serviços de esgoto, não poderíamos buscar números diferentes de 100% de cobertura, como os atuais índices do EUA e Coréia do Sul.

Podemos concluir que as perspectivas do setor de saneamento no Brasil são grandes e muita coisa precisa ser feita. O Plano Nacional de Saneamento - PLANSAB definiu como metas até 2033, uma cobertura de água de 99%, tratamento de esgoto de 93% e perdas na distribuição abaixo de 31%. Isto demandaria um investimento de R$ 18,5 bilhões por ano.

Segundo EPE - Empresa de Pesquisa Energética, o saneamento representa em torno de 3% de todo o consumo de energia elétrica no Brasil, com 13 TWh de consumo anual.

A importância da energia elétrica nas empresas de saneamento

Quase a totalidade das empresas de saneamento (98%), tem entre seus três maiores custos, as despesas com energia elétrica. Segundo dados do SNIS, em 2015 estas empresas gastaram R$ 5,1 bilhões com energia elétrica.

Além disto, a crise energética latente, preços e incidência de encargos sobre a energia exorbitantes e captações cada vez mais distantes dos pontos de consumo, fazem com que 80% das empresas de saneamento passem a enxergar a gestão adequada da energia como principal foco para reduzir custos operacionais.

Implantação de Plataforma de digitalização de gestão de energia nas empresas de saneamento

Atualmente podemos dizer que a maioria dos gestores de energia utiliza de forma pesada o manuseio de dados através de planilhas eletrônicas. Esta alternativa gera um consumo excessivo de mão de obra, insegurança quanto a atualização de links entre planilhas e necessidade de backup constante.

Com uma grande quantidade de informações disponíveis em uma plataforma informatizada, o foco passa a ser a tomada adequada das decisões.

Outra constatação é que os sistemas utilizados pelas empresas de saneamento (Supervisórios, PIMS, MES, ERP, etc.), normalmente não são integrados, o que causa uma dificuldade ou mesmo impossibilidade de migração de dados entre eles. A utilização de uma plataforma informatizada, proporciona a integração dos diversos sistemas e públicos da Empresa (produção, manutenção, automação, financeiro, controladoria, suprimentos, meio ambiente, engenharia, planejamento) promovendo uma visibilidade dos processos a todos os envolvidos.

De forma resumida, as oportunidades de otimização de custo de energia nas empresas de saneamento se dividem em três grupos:

  • Gestão adequada das faturas: Gestão dos contratos de energia, auditoria de faturas, recuperação de créditos tributários, processos de faturamento e contabilização de custos, analise de informações para estudos do merado de energia.
     
  • Gestão do orçamento: Elaboração de orçamentos precisos de médio e longo prazo,ação de riscos de exposição.
     
  • Gestão da eficiência energética: Identificação de usuários significativos de energia, gestão de banco de ações de eficiência energética e priorização daquelas com maior retorno financeiro, modelamento de processos, identificação de perdas de energia on-line, identificação de energia inútil, criação de KPIs com metas móveis. Na área de saneamento, duas ações se tornam extremamente importantes e merecem destaque: a detecção de vazamentos on-line e otimi de perda de carga de sistemas de bombeamento.
     

Vale também ressaltar que um sistema de gestão de energia efetivo, evidencia ganhos expressivos que podem ser obtidos a partir da adoção de melhores práticas operacionais, que não requerem grandes investimentos de capital.

Leia também: AEGEA Saneamento implementa sistema integrado de gestão da Viridis

Diretor Comercial , Viridis

Diretor Comercial da Viridis. Trabalhou durante 35 anos na Vallourec do Brasil, nas áreas de energia, manutenção e montagem industrial e coordenou o projeto da área de Energia e Utilidades da usina Vallourec & Sumitomo (VSB). Graduado em Engenharia Elétrica e pós-graduado em Automação Industrial e Gestão de Negócios. Membro da CB-116, que elaborou a ABNT NBR ISO 50.001 – Sistemas de Gestão da Energia, foi o responsável pela certificação da Vallourec como primeira siderúrgica do Brasil nesta norma. É membro da Câmara de Energias Renováveis e Óleo & Gás da FIEMG.  

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José Idílio Martins (não verificado) (sab, 10/03/2018 - 00:33)

sab, 10/03/2018 - 00:33

Comentado por José Idílio Martins em sab, 10/03/2018 - 00:33

Comentários
Sérgio, com sua licença, eu gostaria de levar este Artigo para a sala de aula, como estudo de caso.
Idílio

SERGIO GRASSI F MARQUES (não verificado) (sex, 18/05/2018 - 17:29)

sex, 18/05/2018 - 17:29

In reply to by José Idílio Martins (não verificado)

Comentado por SERGIO GRASSI F MARQUES em sex, 18/05/2018 - 17:29

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Caro Idílio.
Sinta-se a vontade para utilizar o texto.
Abraço

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