Inovação, sustentabilidade e competitividade

Publicado por Bruno Santos Pimentel em qui, 10/08/2017 - 14:10
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A ideia de que inovação, sustentabilidade e competitividade andam de mãos dadas não é de todo nova. Robert Solowi, prêmio Nobel de economia em 1987, propunha que o crescimento econômico é uma função da força de trabalho disponível, do capital acumulado e de um “fator de produtividade”. Trabalho e capital eram capazes de produzir bens (ou mais capital), que deveriam ter uma parcela reinvestida na capacidade produtiva. Mas trabalho e capital apresentavam ganhos decrescentes em escala, ou seja, era preciso cada vez mais trabalho e mais capital para produzir aumentos cada vez menores nos resultados.

A única forma de lidar com as deseconomias de escala seria por meio do fator de produtividade, que hoje conhecemos como inovação tecnológica. Avanços em produtos, processos e modelos de negócio seriam capazes de deslocar positivamente os patamares de produção, gerando maiores níveis de resultados, mas ainda constritos à inexorável limitação dos ganhos decrescentes – o que futuramente demandaria novos ciclos de inovação tecnológica para sustentar as expectativas de aumento de produção.

É claro que o modelo de Solow, como todo bom modelo, simplificava bastante a realidade, mas era capaz de trazer noções importantes sobre os fatores de sucesso de uma organização. Fato é existem bons números para ilustrar o argumento.

O Global Innovation Index (GII) é um anuário publicado conjuntamente pelo INSEAD, pela Cornell University e pelo World Intellectual Property Organization que busca evidenciar os elementos que influenciam a capacidade inovadora de um país.

O escore do Global Innovation Index representa a avaliação de critérios objetivos sobre os recursos disponíveis para inovação – instituições, capital humano, infraestrutura, sofisticação do mercado – e seus respectivos resultados em criatividade, conhecimento e tecnologia.

Na edição 2017 do GII, dentre os 127 países avaliados, o Brasil aparece estagnado no 69o lugar, depois de perder mais de 30 posições desde 2010. Assim como outros países da América Latina, nosso país apresenta números relativamente bons nos insumos para inovação, como o investimento em pesquisa, a produção científica e a escala e sofisticação de seu mercado, mas ainda carrega sérias dificuldades de produzir resultados inovadores com quantidade e impacto significativos.

Mas talvez a evidência mais importante do Global Innovation Index seja a forte relação existente entre a capacidade inovadora de um país e sua riqueza per capita: estatisticamente, 64% dessa relação pode ser explicada pelos dados avaliados.

Grafico

A análise do GII sugere que é necessário um sólido equilíbrio entre a força das instituições públicas e privadas, a qualidade do capital humano, a solidez da infraestrutura básica, incluindo saúde, tecnologia e educação, e a sofisticação do mercado e do ambiente de negócios, para que os resultados dos investimentos em inovação possam ser obtidos de forma eficiente, e se revertam em benefícios para a sociedade, fechando um ciclo virtuoso de desenvolvimento.

Em outras palavras, inovação induz competitividade, que induz mais inovação e consequentemente mais competitividade...

Naturalmente, um outro índice de interesse nesta discussão é o Global Competitiveness Index (GCI), produzido pelo Fórum Econômico Mundial, que define competitividade como o conjunto de instituições, políticas e fatores que determinam o nível de produtividade de uma economia. O GCI contabiliza mais de uma centena de indicadores relacionados a instituições, macroeconomia, educação, saúde, eficiência e sofisticação de mercado, prontidão tecnológica e, mais uma vez, inovação.

Na edição 2016-2017, o Brasil figura no 81o lugar, novamente perdendo importantes posições nos últimos anos, o que pode ser evidenciado pelos notórios problemas no cenário político e econômico, mas também pelo déficit em produtividade e educação.

No entanto, é fundamental considerar que qualquer desenvolvimento precisa ser sustentável em todas as suas dimensões: econômico, social e ambiental.

Para reforçar o argumento pela sustentabilidade ambiental, podemos recorrer a mais uma importante fonte: o Global Sustainable Competitiveness Index (GSCI), que avalia uma série de indicadores organizados nos pilares Capital Natural, Capital Social, Gestão de Recursos, Inovação Sustentável e Governança.

Dentre os 180 países avaliados na edição de 2016, o Brasil ocupa a 41a posição, reforçada principalmente pela abundância de recursos naturais, mas que é ainda bem distante dos líderes escandinavos, o que pode ser explicado pela nossa carência de práticas mais estruturadas de gestão desses importantes recursos.

O GSCI também sugere uma relação entre a competitividade sustentável e o nível de riqueza dos países avaliados (32% da relação poderia ser explicada pelos dados disponíveis), mas com uma diferença importante: o longo tempo necessário para que investimentos em desenvolvimento sustentável se revertam em benefícios efetivos para a economia e para a sociedade. Como diria o provérbio chinês, “o melhor dia para se plantar uma árvore foi há 20 anos atrás; o segundo melhor dia é hoje”.

A metodologia de cálculo e os números do GSCI evidenciam pontos bastante importantes:

  • existe uma conexão direta entre investimentos em pesquisa e inovação e desenvolvimento econômico;
  • a exploração de recursos naturais pode trazer benefícios econômicos no curto prazo, mas invariavelmente acarreta na redução das bases potenciais para sustentar o crescimento futuro;
  • quanto maior a eficiência no uso de recursos, maior a competitividade.

Investir em projetos, iniciativas e tecnologias com foco em inovação e sustentabilidade é, sem dúvida, desafiador – recursos escassos, horizontes de maturação relativamente longos, incertezas tecnológicas e de mercado... assuntos delicados que voltaremos a discutir em outro artigo.

No entanto, como foi exposto aqui, tais investimentos possuem o potencial direto de fortalecer a competitividade, contribuindo para a construção de riqueza que, se bem administrada, trará ainda mais competitividade e mais desenvolvimento sustentável para nossas as organizações e para o nosso país.

Os produtos da Viridis contribuem para que as operações de nossos clientes sejam cada vez mais eficientes no consumo de energia e utilidades, o que traz impactos positivos para as economias e comunidades em que essas operações estão inseridas – seja em termos econômicos e sociais, pela promoção do emprego, da renda e de serviços essenciais de qualidade; seja em termos ambientais, pela redução de emissões, de resíduos e dos níveis de consumo de recursos naturais renováveis ou não renováveis.


Gerente de Produto, Viridis

Gerente de Produto da Viridis, com mais de 20 anos de liderança em programas de inovação e tecnologia em organizações industriais de grande porte. Doutor e mestre em Ciência da Computação pela UFMG, Bacharel em Engenharia Mecânica, Innovation & Sustainability Fellow at Sloan School of Management, MIT. Larga experiência na gestão de projetos e equipes de inovação aberta com indústria, academia e startups, aplicando tecnologias digitais e analytics a desafios em produtividade, estratégia e desenvolvimento sustentável.

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