Política dos 3R’s na gestão de energia e utilidades

Publicado por Mariane Gonçalves em seg, 18/03/2019 - 14:10
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Saiba nesse artigo sobre um dos mais eficientes conceitos para sustentabilidade do mundo - a Política dos 3R’s, seus benefícios e sua aplicação na gestão de energia e utilidades.

 

Atualmente, muito se fala em sustentabilidade. Projetos e incentivos são implantados para que empresas e a população de todo o mundo enxerguem que essa pauta não é somente uma tendência para conseguir reputação, mas, sim, uma questão de extrema importância para o futuro e que deve ser entendida e praticada por todos.

O volume de materiais não reaproveitados globalmente é cada vez maior, cerca de 2 bilhões de toneladas por ano, de acordo com um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), e boa parte disso vem de empresas. Esses dados são somente de materiais físicos que são deixados no meio ambiente, não incluem a emissão de gases poluentes, o consumo exacerbado de energia, dentre outros. Por conta da necessidade de ir além do sucesso econômico, empresas buscam uma política sustentável em direção ao crescimento e que valorize os ideais ligados aos aspectos sociais, ambientais e econômicos. Dentre vários conceitos e projetos de melhoria contínua, um ganha mais espaço a cada dia no mercado, que é a Política dos 3R’s (reduzir, reutilizar e reciclar).

Neste artigo vamos explicar o que é a Política dos 3R’s e como ela pode ser essencial para que empresas consigam ser sustentáveis, ajudando a sociedade e sem diminuir o seu lucro.

O que é a Política dos 3R’s?

O conceito foi criado em dois momentos: na Conferência da Terra, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, e no 5º Programa Europeu para o Ambiente e Desenvolvimento, de 1993. Essa política abrange todo tipo de resíduo/efluente que seja sólido, líquido ou gasoso e seu significado principal é a busca pela redução de resíduos, seja através da economia, reutilização ou reciclagem, e pode ser utilizada em qualquer empresa. Essa política é dividida em três etapas que são trabalhadas de forma seguida e contínua. São elas:

  • Reduzir

Considerado o “R mais importante” da política citada, o termo reduzir é o alicerce para o início do consumo consciente. Essa etapa consiste em buscar formas para que o uso de recursos naturais, materiais, dentre outros seja o menor possível, pois quanto menos se utilizar em processos operacionais, por exemplo, menor o índice de resíduos gerados e, consequentemente, descartados no planeta.

Essa redução pode ser feita nas empresas de diversas formas, reduzindo o consumo de energia elétrica, diesel, gás, água, papel, alumínio, ferro, dentre outros recursos que, naturais ou não, podem ser descartados no meio ambiente.

Há atualmente diversas ações governamentais que incentivam as companhias para a redução do consumo, tais como: o crédito de carbono, certificações ISO 14001 e ISO 50001, Agenda 2030, dentre outras.

Cabe a cada empresa avaliar de que forma os recursos utilizados em seus processos podem ser melhorados. A adoção de sistemas que facilitem a leitura de processos industriais ou de gastos diários de um grande escritório, pode ajudar de forma assertiva a reduzir aonde realmente precisa. Desde uma lâmpada acessa durante a noite até um processo no alto-forno de uma grande siderúrgica podem ser avaliados e ajustados para que o consumo seja o menor possível.

  • Reutilizar

A partir do momento em que o consumo é feito – após reduzido à sua real necessidade –, é necessário entender se é viável e de que forma determinado resíduo pode ser reaproveitado e quantas vezes isso é possível. Assim, evita-se o descarte desnecessário e gera-se redução de custos para a companhia, por conta da reutilização.

Pode ser que determinado material não seja mais útil para tal processo, mas pode se adequar a outras áreas da empresa ou a outro produto em produção.

Nessa fase, vale ressaltar também a importância de plataformas que ajudam na gestão de resíduos, para monitorar se o consumo está correto e de que forma o que sobra pode ser reutilizado gerando economia, otimização de processos e menos impacto ambiental.

  • Reciclar

O último, mas não menos importante passo, concentra o esforço final para que o resíduo não vá para o meio ambiente de forma depredativa: a reciclagem. Atualmente, é uma das etapas mais conhecidas e praticadas por empresas e cidadãos, apesar da conscientização sobre o assunto ainda ser aquém do necessário.

Reciclar é definir uma nova utilidade para aquele resíduo que foi gerado no processo e que não pôde ser reutilizado. A reciclagem pode ser feita através de novos processos industriais ou artesanais. Um exemplo dessa etapa é a água utilizada em processos siderúrgicos, visto que o resíduo pode ser reciclado através de tratamentos (ETEs) e reutilizado.

Benefícios para as empresas que aderirem à Política dos 3R’s

Os conceitos são simples e trazem consigo a singularidade entre o equilíbrio social, ambiental e econômico para as companhias, além de possibilitarem sua adequação a empresas de qualquer segmento. Companhias que conhecem o seu processo saberão aonde reduzir, reutilizar e de que forma reciclar, garantindo assim uma série de benefícios. São eles:

  • Redução de custos: por meio do monitoramento e da real visão de consumo das matérias utilizadas em seus processos, haverá redução de custos em todas as etapas nas quais a política for adotada.
  • Reputação perante o mercado: além do ganho financeiro reduzindo custos diretamente, empresas que demonstram consciência ambiental agradam mais ao mercado, atuais e futuros clientes. Um estudo da MIT Sloan Management Review & The Boston Consulting Group aponta que 37% das empresas que adotaram práticas sustentáveis aumentaram sua receita, o que só corrobora essa afirmação.
  • Ganhos financeiros: utilizando-se da reciclagem é possível que a companhia consiga revender a matéria-prima e adicionar uma renda extra à receita.
  • Melhoria do planejamento e gestão: todas essas ações só podem ser executadas se a gestão e o planejamento da empresa forem eficientes. Sem um monitoramento de consumo, não é possível saber o custo real de produção, por exemplo, o que atrapalha na hora de reduzir. Naturalmente, se houver a Política dos 3R’s aplicada na empresa, as áreas conseguirão gerir e planejar melhor a cada dia.

Política dos 3R’s aplicada à gestão de energia e utilidades

O gerenciamento integrado de todas essas práticas é uma tarefa complexa e que merece o apoio de uma plataforma tecnológica para conferir agilidade, assertividade e transparência das ações de melhoria e seus resultados.

Um bom sistema de gestão de energia e utilidades deve ser capaz de facilitar a integração natural do conceito 3R – Reduzir, Reusar, Reciclar – às rotinas gerencial e operacional de qualquer organização.

A redução do consumo, em especial o consumo específico (quantidade de energia por unidade de resultado), está diretamente relacionada à redução de custos, à melhora nos níveis de eficiência energética e à redução das emissões de resíduos e gases de efeito estufa.

A reutilização de recursos, por sua vez, é fundamental para a sustentação do desempenho e da eficiência operacional. O tratamento eficaz de efluentes, a busca de altos índices de recirculação e reaproveitamento de água, promovem a segurança e viabilizam a continuidade das operações.

Por fim, a reciclagem de recursos, resíduos e insumos energéticos é chave para a redução do impacto ambiental. O aproveitamento de coprodutos para a geração de energia e a utilização de sucata, biomassa e outros resíduos são exemplos de boas práticas que contribuem diretamente para a sustentabilidade ambiental e econômica do negócio.

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Analista de Marketing, Viridis

Analista de Marketing da Viridis, formada em Publicidade e Propaganda pela PUC Minas, com cursos de aperfeiçoamento na área de marketing digital. Possui experiência em eventos corporativos, planejamento estratégico e marketing digital.

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