Processamento de Eventos Complexos em Sistemas de Gestão de Energia e Utilidades

Publicado por Ricardo Giacomin em qui, 30/03/2017 - 21:11
Processamento de Eventos Complexos em Sistemas de Gestão de Energia e Utilidades

 

Entenda como um bom sistema de energia e utilidades pode ajudar a identificar e monitorar a ocorrência de eventos inesperados em sua empresa.

 

Um sistema de gestão de energia e utilidades abrangente trata de diversas disciplinas, como:

  • Instrumentação e medição; 

  • Gestão de indicadores de desempenho energético (IDEs); 

  • Manutenção de modelos de consumo dos equipamentos (idealmente inferidos por métodos de aprendizado de máquina); 

  • Procedimento de custeio; 

  • Gestão de contratos; 

  • Construção e execução de orçamento; 

  • Entre outras. 

Aplicadas a um grande conjunto de equipamentos, unidades consumidoras ou insumos energéticos, essas funções são capazes de perceber e registrar uma infinidade de eventos relacionados à captura, processamento, análise e ação sobre os dados manipulados. É possível de forma sistemática, por exemplo:

1) Apurar eventos de falha no sinal enviado por determinado sensor ou medidor;

2) Registrar os momentos em que um equipamento deixa de produzir e passa a um estado ocioso;

3) Identificar baixo desempenho energético momentâneo de determinado ativo em relação a padrões de consumo, entre outras coisas.

Isoladamente, as ocorrências desses eventos simples tendem a ser de baixa relevância, às quais não se espera que o sistema – softwares e pessoas – reajam. Por exemplo, a interrupção por poucos minutos em um sinal de um medidor de energia pode ser devidamente tratada por uma heurística (e.g. tomando-se a média dos períodos precedentes), sem a necessidade de provocar uma inspeção do medidor ou dos sistemas de automação envolvidos. Mas a continuidade ou recorrência desse problema deve ser objeto de notificações e ações de solução.

Para reagir a situações relevantes e em tempo real, os sistemas de gestão de energia e utilidades devem ser capazes de capturar os eventos simples e oferecer aos usuários recursos para descrição dos eventos importantes para sua necessidade de controle. Nesse sentido, os sistemas podem ser implementados empregando-se tecnologias atualmente disponíveis, mas infelizmente não tão difundidas, como os mecanismos de processamento de eventos complexos (ou CEP – Complex Event Processing, em inglês).

O que é CEP - Processamento de Eventos Complexos?

CEP é um padrão arquitetural de software para processamento de fluxos contínuos de grandes volumes de eventos em tempo real, correlacionando-os com objetivo de identificar padrões de ocorrências e assim apurar eventos relevantes.

Esses eventos relevantes são chamados eventos complexos e para eles ações apropriadas são disparadas. As regras para descrição dos padrões desejados são definidas em uma linguagem de consulta sobre os fluxos de eventos, de forma similar ao que SQL permite para consulta em tabelas de bancos de dados. Pelo poder de expressão desta linguagem, pode-se definir regras como:

  • “Sempre que um medidor apresentar mesmo valor por 5 leituras consecutivas, desde que esse valor não seja 0, crie um evento de congelamento de dados; ocorrendo 10 congelamentos em uma janela deslizante de 24 horas, notifique os responsáveis pela instrumentação”.
  • “Sempre que um forno liberar uma corrida ou lote, verifique a sua temperatura e a produção prevista para os próximos minutos; se a temperatura estiver elevada e não houver produção prevista, atue para que a queima de combustível no forno seja reduzida, colocando-o em um cenário de conservação de temperatura”.

O processamento de eventos complexos na gestão de energia e utilidades 

Para o controle e gestão de energia e utilidades, o processamento de eventos complexos permite uma atuação focada, voltada para o tratamento dos eventos relevantes, promovendo maior eficiência do sistema de gestão.

Em um contexto mais amplo de Indústria 4.0, faz muito sentido a conjugação de ferramentas de CEP com a arquitetura de IoT (Internet of Things, ou Internet das Coisas), servindo as “coisas” como fontes de eventos simples.

Com esse arranjo arquitetural, é possível a construção de soluções sofisticadas e inteligentes para identificação de oportunidades e ameaças. Ser capaz de perceber e responder rápido a uma situação crítica pode fazer as empresas economizarem milhões. Isso é transformação digital!

A plataforma Viridis emprega um mecanismo de CEP - processamento de eventos complexos - para analisar e processar eventos gerados por diferentes fontes. Medidores de energia, contratos comerciais, ou até cenários previstos de produção geram eventos que são processados através de regras amigáveis e com grande poder de expressão. Diferentes ações podem ser disparadas inclusive a notificação de pessoal em tempo real através de seus dispositivos móveis, ou ainda a interface direta com sistemas de controle para ações corretivas automáticas.


EVP, Viridis

Sócio-fundador da Viridis. Possui mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento e comissionamento de sistemas de tecnologia para clientes industriais. Liderou projetos na América Latina, Europa e Estados Unidos para empresas de diferentes segmentos industriais. Especialista na concepção, projeto e implantação de soluções de tecnologia para gestão de chão-de-fábrica. Mestre e Bacharel em Ciência da Computação pela UFMG.

Comentar