Reduzindo o custo da energia em grandes consumidores

Publicado por Sérgio Grassi em seg, 17/10/2016 - 17:13
Reduzindo o custo da energia em grandes consumidores

A consciência que existe escassez de energia no mundo enfim parece ter chegado ao Brasil, nosso país “abençoado por deus e rico por natureza”. Ao contrário do que ocorre no resto do mundo, onde  muito tempo se tem a consciência que os recursos naturais são finitos, tivemos que passar por um racionamento em 2001 (primeiro susto) e depois por um aumento de aproximadamente 50% nas tarifas de energia em 2015 (segundo susto), para que houvesse uma sensibilização por aqui.

A partir deste fato, o número de iniciativas em prol da racionalização do uso da energia tem intensificado, seja através de investimentos em equipamentos “econômicos”, seja pela implantação de sistemas de gestão de energia, solução esta empregada normalmente em grandes consumidores de energia.

Para que possamos entender a distância do Brasil em relação a Alemanha, por exemplo, em termos de iniciativas em prol do uso eficiente da energia, cito o número de certificações na norma ISO 50001 atualmente nestes dois países: mais de 2.000 na Alemanha contra menos de 50 no Brasil. A implantação desta norma é a solução para se eliminar de vez as tentativas de redução de custos através de campanhas e projetos temporários, que comprovadamente não perpetuam as economias nas corporações.

Um dos pontos de destaque e principal benefício que a implantação desta norma traz para as empresas é a introdução sistemática de um controle da operação e manutenção voltados para o uso adequado da energia. Esta ação, por mais simples que possa parecer, é a grande responsável por economias significativas que podem chegar a 20% dos custos com energia sem realização de grandes investimentos.

Como implantar esta ferramenta? Quais são os passos para se conseguir esta solução? Veja abaixo uma sequência para implantação:  

1º Passo: A implantação deste controle eficaz se inicia pela definição dos USE (usuários significativos de energia) que são aquelas instalações ou equipamentos responsáveis por uma parte substancial do consumo de energia da corporação.

2º Passo: Em uma segunda etapa define-se as variáveis relevantes, ou seja, os parâmetros operacionais críticos que influenciam direta ou indiretamente o desempenho energético do equipamento ou instalação. A atividade de definir estas variáveis de forma correta e a determinação dos pontos ótimos de operação, são o grande segredo da otimização do desempenho energético.

3º Passo: Para que o controle se perpetue dentro de um sistema de gestão, é indispensável a realização de treinamento adequado dos operadores e mantenedores do equipamento / instalação.

4º Passo: A definição de IDEs (indicadores de desempenho energético) completam a implantação do controle operacional e permite avaliar em intervalos definidos, o desempenho do processo e implantação de ações corretivas, quando necessário.
A implantação deste sistema é muito facilitada quando a corporação utiliza uma plataforma informatizada. Entre outras vantagens, ela permite a utilização em tempo real de informações importantes para a gestão e cria uma base de dados para um planejamento adequado.

Uma mudança de comportamento das pessoas com relação ao trato com a energia é de fundamental importância para que cheguemos no nível dos países desenvolvidos.
E você, já economizou hoje? 

Diretor Comercial , Viridis

Diretor Comercial da Viridis. Trabalhou durante 35 anos na Vallourec do Brasil, nas áreas de energia, manutenção e montagem industrial e coordenou o projeto da área de Energia e Utilidades da usina Vallourec & Sumitomo (VSB). Graduado em Engenharia Elétrica e pós-graduado em Automação Industrial e Gestão de Negócios. Membro da CB-116, que elaborou a ABNT NBR ISO 50.001 – Sistemas de Gestão da Energia, foi o responsável pela certificação da Vallourec como primeira siderúrgica do Brasil nesta norma. É membro da Câmara de Energias Renováveis e Óleo & Gás da FIEMG.  

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