A revolução dos sistemas industriais e o colapso de uma pirâmide

Publicado por Ricardo Giacomin em sex, 03/02/2017 - 16:14
A revolução dos sistemas industriais e o colapso de uma pirâmide

O desenvolvimento de sistemas que automatizam e facilitam os processos das empresas é constante. Entenda como a indústria 4.0 impulsiona a interconexão e evolução dessas soluções.
 

As empresas industriais continuamente desenvolvem e implantam sistemas de Tecnologia de Informação (TI) e Tecnologia de Automação (TA) para resolver seus principais problemas e desafios, mirando no aumento de desempenho operacional. Esses sistemas são de toda sorte: software, hardware ou ambos, grandes ou pequenos, corporativos ou locais, em diferentes linguagens de programação ou plataformas operacionais, próprios ou de prateleira.

Pirâmide da ISA

Na última década, especialmente depois da adoção pelo mercado dos conceitos e modelos preconizados na norma ANSI/ISA-95, tornou-se comum apresentar a organização desses sistemas de forma hierárquica e graficamente descrever a estrutura no formato de uma pirâmide. Essa pirâmide da automação industrial ou pirâmide da ISA, como ficou conhecida, distribui os sistemas em 5 níveis.:

  • No nível 0 encontram-se os sistemas de sensores e atuadores.
  • O nível 1 tem a função de controle e nele estão principalmente os CLPs e SDCDs.
  • Sistemas como PIMS e supervisórios (SCADAs) normalmente integram o nível 2.
  • Em seguida, sistemas de gestão de produção (MES – Manufacturing Execution Systems), principal matéria do framework ANSI/ISA-95, dão corpo ao nível 3.
  • Por fim, as ferramentas de planejamento corporativo, especialmente os sistemas ERPs, configuram o nível 4.


Por muito tempo, essa organização hierárquica serviu para sedimentar conceitos e modelos, especialmente o de sistemas MES, e enfatizar as principais interfaces entre os elementos nos diversos níveis.

Indústria 4.0 e a interconexão dos sistemas 

Mas a indústria vive agora o início de uma revolução. O arcabouço de novas tecnologias que impulsionam a chamada Indústria 4.0, incluindo Internet das Coisas, Sistemas Ciber-físicos e Big Data, promove o desenvolvimento de soluções que não se aderem à organização hierárquica clássica e estrita descrita acima. Ao contrário, demandam uma perspectiva mais livre e flexível, sem integrações fixas nem sistemas fechados.

Neste novo mundo sem fronteiras ou frameworks, os sistemas são inteligentes e altamente interconectados. Os dados não fluem em apenas uma direção, agregados de baixo para cima. Os termos “sistema de chão-de-fábrica” e “sistema corporativo” não são mais adequados. Não há mais sentido em traçar uma linha separando os times e sistemas de TI dos seus pares na automação. É um momento de rediscussão das funções do CIO e do diretor ou gerente de automação e onde essas figuras se encaixam no organograma corporativo. Não é apenas a pirâmide da ISA que está se tornando ultrapassada. Há outros modelos já bem estabelecidos sendo desafiados, e que devem ser revistos à luz da revolução tecnológica denominada Indústria 4.0.

Bem-vindos a essa nova era!

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EVP, Viridis

Sócio-fundador da Viridis. Possui mais de 20 anos de experiência no desenvolvimento e comissionamento de sistemas de tecnologia para clientes industriais. Liderou projetos na América Latina, Europa e Estados Unidos para empresas de diferentes segmentos industriais. Especialista na concepção, projeto e implantação de soluções de tecnologia para gestão de chão-de-fábrica. Mestre e Bacharel em Ciência da Computação pela UFMG.

Comentários

Comentado por Thiago Turchetti Maia (CEO, Viridis) em seg, 06/02/2017 - 13:38

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As novas tecnologias de IoT têm o potencial de mudar os atuais paradigmas dos sistemas de automação. Do lado técnico, pequenos servidores de IoT oferecem cada vez mais processamento, memória e conectividade, distribuindo capacidade computacional com uma capilaridade muito maior do que as arquiteturas tradicionais baseadas em processamento centralizado com coleta de dados e atuadores remotos. Veremos cada vez mais aplicações de big data distribuídas, antes de implementação difícil, habilitadas por este avanço da tecnologia.

Do lado gerencial, a governança desta nova infraestrutura é radicalmente mais eficiente, trazendo para o chão-de-fábrica todas as facilidades de gestão de sistemas de software, dentre elas monitoramento e operação remotos, comissionamento através de containers, integração contínua e testes automáticos, elevados padrões de segurança, entre outros.

As empresas que já caminham nesta direção estão cada vez mais se aproveitando dos benefícios trazidos por novas classes de aplicação de chão-de-fábrica e pela maior agilidade para administrar sua infraestrutura.

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