Sistema de Gestão de Energia: fundamentos para o sucesso

Publicado por Acriziomar Alves em ter, 23/06/2020 - 18:23
Sistema de Gestão de Energia: fundamentos para o sucesso

 

Saiba como a implementação de um sistema de energia e utilidades, baseado no método PDCA, traz ganhos positivos na gestão de energia e utilidades de seu negócio. 

 

Os custos que envolvem energia e utilidades nas corporações são representativos (10 a 20% na Siderurgia, 70% na indústria do Alumínio e Gases do Ar) e o assunto tem sido bastante discutido em diversos fóruns nacionais e internacionais. Além disso, o consumo destes está intimamente ligado à emissão de CO2, que é uma preocupação a nível global e tem sido foco em diversas empresas e governos no mundo todo. Portanto, é imprescindível que exista uma gestão eficiente desses recursos.

Quando se fala em gestão, imediatamente se pensa em um Sistema de Gestão. Mas o que seria um Sistema de Gestão?

No livro “O Verdadeiro Poder” de Vicente Falconi, Sistema de Gestão é definido como “conjunto de ações interligadas, de tal maneira que resultados sejam atingidos1”. A partir dessa afirmação, segundo o próprio autor, para que se tenha um Sistema de Gestão seja ele qual for, é necessário que haja três pilares básicos: Liderança, Técnica e Método.

Os Pilares do Sistema de Gestão

Figura 1 – Os Pilares do Sistema de Gestão

Liderança se resume no papel do líder, que, pela definição do professor Falconi, é aquele que bate metas, por meio do seu time, de forma ética. Ou seja, é fornecer todo o suporte e motivação à equipe para que as metas estabelecidas sejam alcançadas.

Técnica ou conhecimento técnico é conhecer aquilo que se faz, dominar os mecanismos englobados aos processos, tendo em vista as melhoras práticas adotadas no mercado.

Método: palavra que tem origem grega: Methodos, junção de metá (objetivo) e de hodós (caminho), portanto pode ser entendida, como o “caminho para se atingir a meta”. O método proposto por Renê Descartes em 1600 veio à tona através da sua obra “Discurso do Método”. Diz respeito à existência de um processo sistemático na busca de conhecimento para se atingir objetivos/metas.

Em linha com os três pilares, para que se tenha uma gestão de energia e utilidades eficiente é necessário:

Liderança, o tema energia e utilidades deve ser importante para a companhia. A alta liderança tem de estar envolvida desde o início, pois é o líder quem irá definir com o seu time a meta a ser atingida. Para que isso ocorra, os gaps (lacunas) energéticos devem estar identificados em todos os processos consumidores de energia, de tal forma que as metas sejam tecnicamente estabelecidas através deles. Nesse sentido, é fundamental que haja medição do consumo e da geração dos principais insumos energéticos.

Informações, conhecimento e capacidade analítica

Figura 2 – Informações, conhecimento e capacidade analítica

Conhecimento técnico, sua importância está relacionada principalmente a como se atingir as metas estabelecidas. É o saber incorporado aos processos e operações por meio das pessoas, dessa maneira, atingir metas nada mais é que um processo de aprendizagem da equipe e que leva tempo. De acordo com Falconi, “o único motivo de não se estar no resultado que sempre se quis é por não saber como fazê-lo, pois, se soubesse, já estaria2”. Por esse motivo, é de suma importância que a equipe de energia e utilidades seja multidisciplinar, disciplinada, conhecedora dos processos pelos quais são responsáveis e das legislações vigentes; afinal de contas 70% do resultado estão intrinsecamente ligados às pessoas!

  Resultados ligados às pessoas

Figura 3 - Resultados ligados às pessoas

Método, o PDCA, metodologia amplamente conhecida, é exemplo do método cartesiano, que, quando bem aplicado, se torna uma ferramenta poderosíssima na gestão de energia e utilidades. Ou seja, para que se tenha um verdadeiro gerenciamento, o método é indispensável.

 

Ciclo PDCA

Figura 4 - Ciclo PDCA

PLAN (Planejar): No processo de gestão de energia e utilidades buscam-se,  nessa etapa, os gaps energéticos das operações, através de benchmark entre plantas, setores e mercado. Identifica-se quais são os consumidores significativos para cada tipo de insumo energético existente. É importante, assim, ter um sistema de medição confiável. Uma vez definido os gaps, coloca-se a meta tecnicamente (desafiadora, porém atingível), lembrando que alcançá-la é um processo de aprendizado, que envolve esforço e que está ligado à capacidade humana de aprender. Ainda nesta fase, são definidos os indicadores de desempenho energético, poucos e bons, além da elaboração do “Plano de Ação”, que é onde está o conhecimento aportado, com responsáveis definidos e prazos para cada ação listada.

DO (Executar): nessa fase, o time envolvido implementará as ações previstas no “Plano de Ação” elaborado no passo anterior. Em energia e utilidades, a execução está intimamente ligada ao dia a dia da produção/operação, pois é onde os insumos energéticos são consumidos.

CHECK (Checar): nessa etapa, são verificados, analisados e criticados tanto os resultados medidos através dos indicadores energéticos, quanto os próprios indicadores. Além disso, o plano de ação também deve ser checado, pois se as ações não forem executadas nada muda!

ACT (Agir): tendo em vista os resultados energéticos observados na etapa, é hora de agir. O que foi bem-sucedido deve ser padronizado e estabelecido como meta energética a se manter, com o intuito de que o conhecimento adquirido não seja perdido e outros setores encontrem facilidade em replicar a boa prática. O que não deu certo, deve retornar à primeira fase, planejamento. A partir disso, novas ações surgirão e cabe ao líder fomentar as discussões e aportar conhecimento de outras áreas da própria instituição ou de fora para a nova rodada do Plano de Ação.

Portanto, a adoção de um sistema de gestão de energia e utilidades baseado em Liderança, Conhecimento Técnico e Método, tem como resultado ganhos que vão muito além dos financeiros, pois motiva os colaboradores a pensar e agir de forma mais consciente e sustentável. Porém, não acontece do dia para a noite, requer tempo.

Leia também: O Ciclo PDCA em Gestão de Energia e Utilidades

  1. FALCONI, Vicente. O Verdadeiro Poder: Práticas de Gestão que Conduzem a Resultados Revolucionários, 2ª edição, 2009, p. 28. [back]
  2. FALCONI, Vicente. O Verdadeiro Poder: Práticas de Gestão que Conduzem a Resultados Revolucionários, 2ª edição, 2009, p. 20. [back]
Analista de Gestão de Energia , Viridis

Analista de Gestão de Energia na Viridis, atuando na Gestão de Energia e Planejamento Estratégico da Bayer. Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em sistemas de potência pela Universidade Federal de Uberlândia. Participou de projetos P&D junto a Petrobrás, pesquisa direcionada à criação de modelos computacionais para análises de fluxo de potência e qualidade da energia.

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